O aquecimento global deve ampliar as distâncias percorridas pelas aves migratórias entre a África e o norte da Europa, com consequências devastadoras para estas espécies, segundo um estudo britânico publicado na última edição do Journal of Biogeography.
De acordo com o estudo dirigido por Stephen Willis, da Universidade de Durham, a distância percorrida por alguns pássaros migratórios em direção ao norte, em busca de alimentos e condições climáticas favoráveis, pode aumentar em até 400 km. Stephen Willis cita como exemplo o papa-amoras-comum.
O estudo analisou a migração de 17 espécies de garriças comuns na Europa. Os pesquisadores descobriram que as zonas de reprodução das garriças se deslocarão mais para o norte com o aquecimento global, enquanto suas regiões de invernação permanecerão no mesmo local, o que significa rotas de migração mais longas.
Ao menos 500 milhões de aves migratórias, algumas pesando apenas 9 gramas, percorrem milhares de quilômetros entre a África e a Europa a cada ano. Para suportar essas distâncias, algumas chegam a duplicar seu peso antes da partida, enquanto outras conseguem reduzir seus órgãos internos para consumir menos energia.
Algumas espécies de aves, como a toutinegra-de-barrete-negro, já estão se adaptando e não migram mais, passando todos os invernos na Inglaterra.