Rio de Janeiro, 20 de Maio de 2026

Apuração começa no Irã e candidatos cantam vitória

As duas facções que disputam o segundo turno da eleição presidencial do Irã cantaram vitória e trocaram acusações de intimidação de eleitores na sexta. O imprevisível duelo eleitoral entre o ex-presidente moderado Akbar Hashemi Rafsanjani e o prefeito de Teerã, Mahmoud Ahmadinejad, expõe as profundas divisões sociais no país. (Leia Mais)

Sexta, 24 de Junho de 2005 às 15:44, por: CdB

As duas facções que disputam o segundo turno da eleição presidencial do Irã cantaram vitória e trocaram acusações de intimidação de eleitores na sexta-feira. O imprevisível duelo eleitoral entre o ex-presidente moderado Akbar Hashemi Rafsanjani e o prefeito radical de Teerã, Mahmoud Ahmadinejad, expõe as profundas divisões sociais no país.

Analistas dizem que a vitória do ultraconservador Ahmadinejad, de 48 anos, poderia representar o fim das frágeis reformas sociais e endurecer a política exterior do Irã, especialmente no que diz respeito ao seu programa nuclear.

Rafsanjani, de 70 anos, que foi presidente de 1989 a 1997, diz que pretende melhorar as relações com o Ocidente e impedir que o "extremismo" monopolize o poder na República Islâmica.

Embora o líder supremo do país, aiatolá Ali Khamenei, detenha a palavra final sobre todos os assuntos de Estado, analistas consideram que uma presidência conservadora removeria uma influência moderadora no processo decisório.

- Quem perder vai sentir as reverberações - previu Karim Sadjapour, analista do International Crisis Group em Teerã - Qualquer um deles vai herdar uma nação dividida, e ambos são figuras polarizadoras.

A votação foi estendida em quatro horas, até às 23h (15h30 em Brasília), para atender ao eleitorado de 47 milhões de iranianos maiores de 15 anos.

O Ministério do Interior disse que houve campanha eleitoral na sexta-feira, quando a prática já estava proibida, e a presença de funcionários não-autorizados nas seções eleitorais.

- Algumas pessoas querem prejudicar as eleições - disse Jahanbaksh Khanjani, porta-voz do ministério.

Logo após o início da contagem, Mohammad Atrianfar, importante assessor de Rafsanjani, disse que ele deve obter 55 por cento dos votos e que uma eventual vitória de Ahmadinejad será sinal de fraude.

- Sabemos que enormes irregularidades aconteceram no sentido de levar votos para certos candidatos, incidentes em que a Basij teve um papel - disse ele, referindo-se a uma milícia conservadora que, segundo os moderados, apóia Ahmadinejad.

Por lei, a milícia e a Guarda Revolucionária, também acusada de apoiar o prefeito de Teerã, não podem se envolver em política. Ahmadinejad nega que isso tenha ocorrido.

Um assessor do candidato conservador, que pediu anonimato, disse que ele está se encaminhando para uma vitória folgada.

- A diferença entre os candidatos nas províncias é tão grande que mesmo se o Ministério do Interior estendesse as eleições por mais dois dias Ahmadinejad ainda estaria na frente - afirmou.

Ahmadinejad é muito popular entre as camadas mais pobres e religiosas da população urbana e rural, que admiram sua humildade e suas promessas de combate à corrupção e distribuição dos dividendos do petróleo.

Já Rafsanjani, um conservador que se tornou moderado, tem apoio entre as classes média e alta das cidades. Durante a campanha, ele quebrou vários tabus, como defender negociações com os EUA e falar na TV sobre sexo e moda.

Esse eleitorado mais sofisticado teme que Ahmadinejad reverta as incipientes reformas sociais do atual presidente, Mohammad Khatami, que permitem, por exemplo, que as mulheres usem roupas mais coloridas e justas e que os casais se relacionem em público sem temerem a prisão.

- Rafsanjani vai impedir que a sociedade retroceda e nos dará alguma liberdade - disse o empresário que se identificou apenas como Morteza, 46 - Ele também tem mais experiência política.

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