A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Correios aprovou, em reunião administrativa a convocação dos presidentes da seguradora Interbrazil, André Marques da Silva, e da Susep (Superintendência de Seguros Privados), René Garcia Junior. A CPI rejeitou a convocação de Adhemar Palocci, irmão do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, e ligado à Interbrazil.
André Marques e René Garcia vão prestar esclarecimentos sobre denúncia veiculada na quarta-feira (14) pelo Jornal Nacional, da TV Globo, indicando que a Interbrazil pagava contas do PT para ter informações privilegiadas e conseguir contratos com o governo Luiz Inácio Lula da Silva.
A Susep deve explicar por que só decretou a liquidação da empresa, que enfrentava dificuldades financeiras, em agosto deste ano: suspeita-se, conforme notícia publicada na Agência O Globo, que o processo tenha demorado por causa da ligação da seguradora com Adhemar Palocci. André Marques admitiu ao Jornal Nacional que a empresa contribuiu com dinheiro não contabilizado para a campanha do PT.
A base aliada votou em peso contra o requerimento do deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA) que pedia a convocação de Adhemar Palocci. O deputado Luiz Eduardo Cardozo (PT-SP) e a senadora Ideli Salvatti (PT-SC) argumentaram que é preciso ouvir os dois dirigentes antes de convocar o irmão do ministro.
Além das duas audiências, a CPI aprovou uma série de requerimentos em bloco, entre os quais um que pede providências ao Banco Central, ao Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) e à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional para promover o rastreamento e o bloqueio das contas no exterior do publicitário Duda Mendonça e de sua sócia, Zilmar Fernandes.
Outro requerimento aprovado pela CPI solicita à Secom (antiga Secretaria de Comunicação de Governo e Gestão Estratégica, que teve a maior parte de suas atribuições transferidas para a Subsecretaria de Comunicação Institucional da Secretaria-Geral da Presidência) os contratos celebrados com empresas de publicidade desde 1994 pela administração pública. As empresas citadas no requerimento são DM9, Propeg, DPZ, Lew Lara e Duda Mendonça Propaganda.
O pedido, encampado pela senadora Ideli Salvatti, quer esclarecer as "insinuações", segundo Ideli, feitas durante a tomada do depoimento do chefe do Núcleo de Assuntos Estratégicos, Luiz Gushiken, de que as agências que produzem as campanhas eleitorais dos candidatos à Presidência são privilegiados com contratos no governo, caso os candidatos sejam eleitos.
Aprovada convocação do presidente da Interbrazil
Sexta, 16 de Setembro de 2005 às 08:48, por: CdB