O engenheiro químico Marcelo Cruz, de 40 anos - seqüestrado na noite de quarta-feira - foi libertado na madrugada desta quinta-feira por agentes da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e dois policiais militares do 9º BPM (Rocha Miranda). A vítima é filho da superintendente administrativa da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), Valquíria Cruz. Os seqüestradores foram presos após uma intensa troca de tiros com a polícia.
O engenheiro foi seqüestrado, por volta das 19h desta quarta-feira, na avenida Geremário Dantas, no Pechincha, em Jacarepaguá, zona oeste, e levado para o cativeiro junto com a namorada, a economista Márcia Cristina Miranda da Silva, 36 anos. O casal foi obrigado a permanecer de cabeça baixa dentro do Corsa LVC-4712, de propriedade do engenheiro, dentro de uma favela, no bairro de Turiaçu.
Os bandidos exigiram R$ 30 mil de resgate, R$ 15 de cada família, mas libertaram as vítimas quando souberam da prisão de Jorge Luiz de Almeida Baptista, 43 anos, e de Antonio Luiz de Oliveira, vulgo Xéo, 40 anos, após uma troca de tiros em um dos acessos à favela.
O engenheiro e a economista foram seqüestrados quando chegavam na casa de um amigo, em Jacarepaguá. Marcelo contou que parou o carro e, quando abriu a porta, teve uma pistola apontada para a cabeça. O casal foi obrigado a passar para o banco traseiro e seguiu de cabeça baixa direto para o cativeiro, onde os dois homens foram substituídos por outro e depois outros dois.
Por telefone, os bandidos iniciaram as negociações com os familiares das vítimas, fazendo ameaças para não procurar a polícia. A superintendente da CBDA, Valquíria Cruz, participava de evento, no Tijuca Tênis Clube, na Tijuca, zona norte, quando recebeu vários telefonemas. Os bandidos exigiram R$ 15 mil e depois, sem negociar, baixaram para R$ 10 mil. Quando ela disse que não tinha, recebeu a seguinte resposta: Está bom, amanhã a senhora vai encontrar seu filho estirado e morto.
Desesperada, ela procurou o coronel PM Luiz Meneses, comandante de um destacamento dentro do Maracanã, e também o presidente da CBDA, Coaracy Nunes Filho, que estavam na festa. A Core montou uma operação que teve o apoio de dois policiais militares e um policial civil aposentado. O pagamento do resgate feito pela família da economista foi antes da chegada dos policiais, que seguiram para a Estrada do Portela, nas proximidades do Shopping Madureira, onde seria pago o valor referente ao resgate do engenheiro químico.
Informados do local onde o resgate do engenheiro os agentes da Core se posicionaram. Em dado momento, houve intensa troca de tiros com homens que seriam ligados ao tráfico. De acordo com os agentes, a reação foi de bandidos que faziam a contenção do tráfico para impedir a entrada da polícia na favela. Porém, foi justamente a troca de tiros que resultou na prisão de dois seqüestradores.
Eles tentaram fugir, mas seguiram na direção dos policiais militares que participavam da operação. Os dois não estavam armados, mas com eles foram encontrados o telefone da economista, justamente o aparelho usado nas negociações, e também o relógio dela, que mais tarde reconheceu os presos junto com o namorado. Xéo, que já cumpriu 10 anos de prisão por latrocínio (roubo seguido de morte) disse aos policiais que tinha acabado de comprar o celular e o relógio na favela.
Após a prisão dos seqüestradores, os bandidos que mantinham as vítimas em cativeiros foram alertados pelos traficantes para libertá-los. O engenheiro, que não sabia onde estava, ainda teve tempo de pedir orientação aos bandidos para deixar o local.