Rio de Janeiro, 04 de Outubro de 2026

Após terremoto, população encara futuro sombrio

Terça, 07 de Abril de 2009 às 07:15, por: CdB

Como centenas de outros sobreviventes, Angela Camon acordou na terça-feira no chão de uma tenda improvisada e deparou-se com a dura realidade de ter de reconstruir sua vida depois do devastador terremoto da véspera na cidade italiana de LAquila, que matou mais de 200 pessoas.

Sua casa foi destruída, e seu escritório ficou muito danificado por causa do sismo, que transformou prédios e sobrados em pilhas de escombros. Atordoada, Camon, de 37 anos, sentou-se sobre um cobertor com uma Bíblia nas mãos.

– Não consigo nem pensar no futuro, porque não tenho ideia do que faremos – disse Camon, contendo as lagrimas, para então contar como ela e o marido saltaram pela janela para fugir quando o prédio em que viviam começou a desmoronar ao seu redor.

– Ontem foi um dia de muito pânico. Agora só sinto uma profunda tristeza – afirmou.

Em frente à barraca, Antoneta Florentina estava de pé, agarrada a um cobertor e com o rosto fechado. Essa romena que cuida de uma idosa italiana de 86 anos não tem intenção de voltar ao seu emprego ou ao apartamento onde vivia. Ela cogita voltar para a Romênia caso não encontre mais trabalho na Itália.

– Não vou ficar aqui em LAquila. Estou assustada demais. Quando penso no que vou fazer, não tenho nem ideia. Talvez eu vá para Roma procurar trabalho. Sei lá – disse.

Algumas pessoas que despertavam depois de enfrentar a noite fria quase ao relento choravam abertamente. Outros olhavam desamparadamente para o vazio, encontrando pouco consolo na manchete de um jornal local, distribuído gratuitamente: "Estamos todos com vocês".

Parada numa longa fila para receber leite quente e chá, Anna Bruno, de 70 anos, se perguntava se poderia resgatar a casa, de dois andares, onde ela viveu durante 31 anos. O imóvel não desabou, mas exibe rachaduras profundas.

– Se eu penso em voltar para casa, tudo o que vejo na minha cabeça são essas rachaduras gigantes na parede. É só o que eu penso repetidamente. Mas sou daqui, tenho de ficar aqui, para onde eu iria? – perguntou.

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