Rio de Janeiro, 08 de Outubro de 2026

APÓS PROTESTOS, BRASIL DEIXA EM SUSPENSO RECURSOS DE RODOVIA NA BOLÍVIA

Quinta, 04 de Agosto de 2011 às 10:03, por: CdB

LA PAZ, 4 AGO (ANSA) - O governo brasileiro suspendeu o financiamento do segundo trecho de uma rodovia na região central da Bolívia, cuja construção tem causado protesto entre a população indígena, já que a obra dividiria a maior reserva florestal do país.
   
O embaixador do Brasil em La Paz, Marcel Fortuna Biato, anunciou que o financiamento para a nova etapa da estrada, que liga os municípios de Villa Tunari, em Cochabamba, e San Ignácio de Moxos, em Beni, "somente será concedido quando, na Bolívia, terminarem os estudos de impacto sócio-ambiental".
   
A rodovia de 306 quilômetros cruzará de norte a sul o Parque Nacional Isiboro Sécure, a maior reserva florestal do país, cujos rios são uma importante fonte de água doce da América do Sul.
   
Os cerca de 90 mil índios yuracarés, moxeños, chimanes e trinitarios que moram no Parque Nacional e vivem da caça e da pesca temem que a estrada destrua suas culturas e seu habitat. Junto com outras tribos que os apoiam na causa, eles se preparam para uma manifestação em La Paz no dia 15 de agosto.
   
Estudos recentes realizados pelo Programa de Pesquisa Estratégica da Bolívia (Pieb, na sigla em espanhol) prevêem que até 610 mil hectares poderão ser desmatados com a finalização da obra.
   
O presidente da Bolívia, Evo Morales, disse que a rodovia será construída "queiram ou não" os indígenas, e que ela estará finalizada em 2014.
   
Produtores de coca de assentamentos vizinhos ao território indígena anunciaram, por sua vez, que realizarão uma contramarcha para afrontar os índios. Os cultivadores disseram ainda que têm interesse na concessão de terras da reserva.
   
O projeto da rodovia tem custo de US$410 milhões, dos quais US$350 milhões foram concedidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) do Brasil. A construção está a cargo da empreiteira brasileira OAS, que venceu a licitação em 2008. (ANSA)

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