Rio de Janeiro, 26 de Setembro de 2026

Após presente, ex-lateral Odair Patriarca quer seguir passos de Telê

Segunda, 11 de Julho de 2011 às 15:22, por: CdB

Guilherme Franco
Especial para o site da FPF

Revelado pelo São Bento como uma das maiores apostas do clube nos últimos anos, tendo inclusive atuado em todas as categorias de base do time, Odair Patriarca, de 48 anos, contou sobre suas experiências como atleta profissional até a oportunidade de disputar uma Copa Paulista sob o comando do Linense. Nascido em Itaporanga, interior de São Paulo, o ex-lateral da Seleção Brasileira recordou sua carreira de jogador, exaltou o trabalho com o técnico Telê Santana e avaliou a importância do estágio com Franz Beckenbauer para sua formação como treinador.

Palavra de Técnico
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Experiente quando o assunto é futebol paulista, Odair Patriarca iniciou a carreira profissional no São Bento. Lançado pelo técnico Nenê na equipe principal em 1983, o até então volante, dividia o gramado com nomes que despontaram no cenário futebolista como Luiz Muller, Índio, Nivaldo e Márcio Araújo. Já sob o comando do treinador Cabralzinho, Odair foi deslocado para a lateral do campo, onde apareceu com maior destaque e conquistou uma oportunidade na Seleção Brasileira.

Além do São Bento, o lateral atuou por Flamengo (PI), Ponte Preta, Figueirense (SC), Rio Branco, Novorizontino, Palmeiras, Bragantino, Vila Nova (GO), Sport (RE), Juventude e Montes Claros (MG). Após pendurar as chuteiras, o comandante recebeu o convite dos antigos companheiros Paulo Sérgio e Elber, a realizar um estágio com Franz Beckenbauer no Bayer de Munique. “Foi uma experiência sensacional trabalhar com o ‘Kaiser’, pois além de tudo que ele representa para a Alemanha, o Bayer venceu tudo o que disputou em 2001”, relembrou Odair, que ainda foi técnico do OSAN, agremiação de Indaiatuba que encerrou suas atividades, Ginásio Pinhaense, Guaçuano, Atlético de Sorocaba e Linense. Como auxiliar técnico, o ex-ala trabalhou com Waguinho Dias no Guarani, e com Paulo Sérgio no Red Bull Brasil.

Considerado por ele mesmo como um técnico que lida bem com os jovens, Odair Patriarca contou que Telê Santana foi a pessoa mais importante com quem trabalhou no esporte. Segundo o ex-atleta, além da capacidade indiscutível como treinador de futebol, Telê sabia como ninguém lidar com os atletas que estavam despontando na época. “Ele foi uma pessoa incrível. Sabia encurtar as conversas. Falava pouco, mas tinha plena noção do que era necessário ouvirmos no momento”, lembrou Odair sobre sua passagem pelo Palmeiras.

Apesar de obter uma carreira curta como técnico de futebol, Odair Patriarca desfrutou de experiências importantíssimas durante sua carreira de atleta. Foram 35 anos de aprendizado e oportunidades de vestir camisas de clubes importantes e a Seleção Brasileira.

FPF: Qual a importância do São Bento na sua carreira?
Odair Patriarca: Apesar de iniciar minha carreira lá, sempre fui tratado com muito respeito por todos no clube. Fui o único atleta a jogar em todas as categorias do time, virando até treinador anos depois. O São Bento ficará marcado na minha vida por ser a equipe que me abriu portas para o futebol nacional.

FPF: Qual foi seu melhor momento jogando futebol?
Odair Patriarca: Tive ótimas fases como atleta profissional. Tanto no São Bento como na Ponte Preta e Flamengo (PI), fiz belas apresentações. Quando cheguei ao Palmeiras foi uma honra trabalhar com o Telê Santana, que me escalou como titular três dias após minha chegada. Também houve a passagem pela Seleção Brasileira sob o comando do Falcão, que apesar de curta, ficou muito marcada para mim.

FPF: Como foi a experiência de trabalhar com um técnico tão vitorioso como o Telê Santana?
Odair Patriarca: Ele é uma referência na minha vida profissional. Trabalhei pouco tempo com ele, mas é fácil perceber que é uma pessoa diferenciada. O considero um paizão dos atletas. Teve uma oportunidade durante um treino no Palmeiras, que fiz uma brincadeira pedindo um presente para o Telê. Sem hesitar ele me deu seu apito e disse para eu ser um técnico mais vitorioso que ele. Tenho até hoje esse apito e nunca esquecerei aquele momento.

FPF: Qual foi o título mais importante de sua carreira?
Odair Patriarca: Considero todos os momentos da minha carreira muito importante, mas o Campeonato Piauiense, pelo Flamengo em 1985, e o Campeonato Brasileiro da Segunda Divisão pelo Juventude, em 1994 foram inesquecíveis pelo que representaram para os clubes. No Palmeiras, conquistei apenas a Copa Euro-América, em 1991, e pela Seleção Brasileira tive oportunidades apenas com o técnico Falcão.

FPF: Após a eliminação na Copa de 1990, o Brasil apostou no técnico Falcão para realizar uma renovação na Seleção. Como foi trabalhar com um treinador que você enfrentou como atleta?
Odair Patriarca: O Falcão sempre foi um molde de jogador clássico para mim. Até iniciei minha carreira como volante e imaginava ter a postura dele dentro de campo. Enfrentei ele apenas uma vez, quando estava no São Bento e ele no São Paulo. Na ocasião, o Cilinho havia colocado o Falcão na reserva, e eu dentro de campo fiquei torcendo para ele entrar. Já na Seleção Brasileira, fracassamos na Copa América e infelizmente ele não continuou como o treinador.

FPF: Houve algum fato inusitado na sua carreira?
Odair Patriarca: Teve um ano no Novorizontino que estávamos fazendo uma pré-temporada na cidade, e o Flavinho, que era o preparador físico na época, pediu para nós corrermos perto de um morro. Começamos a correr normalmente, mas depois de um tempo avistamos uma vaca bem na frente. Quando o animal nos viu ficou com medo e saiu correndo em nossa direção, o que criou um caos geral entre os jogadores. Foi por muito pouco que não levei uma chifrada, pois avistei um buraco e consegui me esconder. No fim todos demos risada do acontecimento.

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