Rio de Janeiro, 28 de Outubro de 2026

Após morte, detentos retomam rebelião no Recife

Segunda, 12 de Novembro de 2007 às 10:33, por: CdB

Detentos do Presídio Aníbal Bruno, no bairro de Tejipió, no Recife (PE), iniciaram uma nova rebelião na manhã desta segunda-feira. Segundo informações da assessoria de comunicação da Secretaria de Ressocialização de Pernambuco, o Batalhão de Choque foi até a unidade a pedido da diretoria.

Homens da Companhia Independente de Operações Especiais e da Polícia Militar estavam dentro do presídio, às 10h15 (horário de Brasília), para controlar a situação. Houve uma queima de colchões nesta retomada da rebelião, mas os policiais ainda não deram detalhes. Policiais militares estão também fazendo isolamento da área externa do presídio, onde vários familiares se encontram. O objetivo é evitar o que aconteceu neste domingo - a tentativa de invasão do local por parte de parentes por notícias dos presos.

O presídio é alvo de tumulto desde domingo. A primeira rebelião, contida por volta das 22h30 de ontem, deixou saldo de um detento morto - Tiago Batista de Lima, 21 anos -, 40 feridos, uma mulher baleada e dois pavilhões completamente destruídos. A confusão teria começado por volta das 16h, no Pavilhão D, devido a uma briga entre os detentos e o chaveiro do pavilhão que estaria cobrando propina para permitir mais tempo de permanência das mulheres durante a visita conjugal.

Para conter a rebelião, foram mobilizados 240 policiais, oriundos do Batalhão de Choque, da Companhia Independente de Operações Especiais (Cioe), da Companhia Independente de Policiamento com Cães (CIPCães) e de diversos batalhões da PM, além de 80 agentes penitenciários. Bombas de efeito moral foram utilizadas pelos policiais.

Segundo o secretário de Ressocialização Humberto Viana, cerca de 2 mil presos participaram da confusão. Ainda não se sabe o volume do prejuízo gerado, o que só deve ser levantado com a vistoria da equipe de engenharia da Secretaria.

Ainda segundo Humberto Vianna, uma sindicância será aberta para investigar a origem do tumulto. Homens do Batalhão de Choque de Pernambuco realizaram uma vistoria na unidade durante a madrugada e encontraram diversas armas brancas. Durante a ação, os presos ficaram nus no pátio interno da unidade.

Diversos parentes de presos que estavam do lado de fora do presídio na hora da rebelião ficaram angustiados com a falta de informações sobre vítimas. Diversas mulheres furaram o bloqueio policial e tentaram invadir o Aníbal Bruno.

Na confusão, tiros foram disparados e uma visitante identificada como Joseane Dantas Vieira, foi atingida no braço direito. Outras quatro foram presas, acusadas de desobediência, provocação de tumulto e desacato à autoridade. O Batalhão de Trânsito teve de intervir de forma a garantir a passagem para as ambulâncias que foram socorrer os feridos.

Até agora foram divulgados os nomes de nove presos que ficaram feridos durante a rebelião. São eles: Thiago Alexandre de Morais, Júlio César Pereira Lemos, Manoel Januário da Silva, Iranildo Félix, Fábio Benedito dos Santos, Ronaldo Joaquim da Silva, Wellington José da Silva, Adilson de Lima Xavier e Leandro da Silva Pinto. Ainda não há informações sobre o nome do preso que morreu.

O presídio Aníbal Bruno é o maior de Pernambuco, com capacidade para 1,4 mil detentos, porém, abriga atualmente 3,6 mil homens.

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