Rio de Janeiro, 04 de Novembro de 2026

APÓS ESCÂNDALO NO HAITI, ESQUERDA DO URUGUAI QUER FECHAMENTO DE ESCOLA MILITAR

Quinta, 15 de Setembro de 2011 às 06:38, por: CdB

MONTEVIDÉU, 15 SET (ANSA) - Partidos da aliança governista do Uruguai, a Frente Ampla, de esquerda, defenderam hoje o fechamento do Liceu Militar do país após a denúncia de que cinco marinheiros uruguaios da Missão de Estabilização das Nações Unidas (Minustah) teriam abusado sexualmente de um jovem no Haiti.
   
A proposta, que relaciona o ocorrido com a formação do corpo militar do país, tem aderência do Partido Comunista do Uruguai (PCU) e do Movimento de Participação Popular (MPP), legenda fundada pelo presidente José Mujica, majoritária na coalizão.
   
As siglas defendem que os militares cursem o segundo grau em escolas públicas, e não no Liceu, como ocorre atualmente.
   
O presidente do PCU, Jorge Castro, afirmou que "muitas vezes as situações dentro das missões estão fora de controle", e, portanto, "o que deve desaparecer é uma formação que não faz bem ao espírito democrático do país", opinou.
   
Para o deputado do MPP Esteban Pérez, a educação que os militares recebem "está impregnada da doutrina da segurança nacional da ditadura" que vigeu no país de 1973 a 1985. Ele recordou a figura histórica de José Artigas, símbolo da luta pela independência do Uruguai, como uma possibilidade de inspiração para a formação das próximas gerações de militares.
   
O tema já chegou a ser levantado pelo MPP no governo de Tabaré Vázquez (2005-2010), também da Frente Ampla, mas nunca foi adiante.
   
A divulgação na internet de um vídeo que mostra um suposto estupro dos militares contra o jovem Jhony Biulisseteh, de 18 anos, em uma base da Organização das Nações Unidas (ONU) repercutiu em todo o mundo e mobilizou órgão, que hoje enviou uma delegação para apoiar a Minustah.
   
Na semana passada, o governo uruguaio pediu desculpas publicamente às autoridades e ao povo haitianos pelo ocorrido e garantiram que punirão os envolvidos. Também foi afastado o titular do contingente naval do Uruguai no Haiti, Alberto Caramés.
   
A chefia da missão no Haiti, atualmente a cargo do Brasil, autorizou a repatriação dos cinco marinheiros uruguaios para que respondam judicialmente às acusações. (ANSA)


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