O presidente eleito na Rússia, Dmitry Medvedev, prometeu continuar as políticas adotadas por Vladimir Putin.
– (As minhas políticas) serão uma continuação direta da trilha seguida por Vladimir Putin, disse Medvedev – o candidato governista, que levou sete de cada dez votos válidos depositados nas urnas nas eleições de domingo.
Com 99,45% dos votos apurados, os resultados davam 70,23% dos votos para Medvedev, 17,76% para Gennady Zyuganov, do Partido Comunista, 9,37% para Vladimir Zhirinovsky, do Partido Liberal Democrático e 1,29% para o candidato independente Andre Bogdanov.
Medvedev confirmou o nome de Vladimir Putin para primeiro-ministro, mas afirmou que o lugar do premiê é na Casa Branca (se referindo a um prédio fora do Kremlin). A indicação precisa ser aprovada pelo Parlamento - que é controlado por Putin.
Analistas dizem que ainda há incertezas em relação ao futuro da política russa com um novo presidente relativamente pouco conhecido no Kremlin e um primeiro-ministro do porte de Vladimir Putin tocando o dia-a-dia do Executivo. A posse de Medvedev será no dia 7 de maio.
Crítica às eleições
Para observadores ocidentais, as eleições presidenciais não foram totalmente democráticas, apesar do resultado refletir amplamente a vontade popular.
- Os resultados das eleições presidenciais...foram um reflexo da vontade de um eleitorado cujo potencial democrático infelizmente não foi preenchido - disse Andreas Gross, chefe do grupo de monitoramento da Assembléia Parlamentar do Conselho da Europa (PACE, na sigla em inglês).
- O acesso igualitário dos candidatos à mídia não melhorou - disse Gross.
Segundo a oposição, os liberais classificaram a eleição como uma farsa, que elas foram manipuladas pelo Kremlin nos bastidores.
Comparecimento
Segundo a comissão eleitoral, o comparecimento às urnas foi de quase 68%, acima do índice registrado nas eleições parlamentares de dezembro, de 63,71%. Mas a disputa também foi marcada por acusações de irregularidades e uma forte campanha para levar os eleitores às urnas.
Há relatos de que funcionários teriam sido pressionados pelos patrões a votar. Além disso, em muitos locais, os eleitores receberam todo tipo de incentivo, desde comida barata a ingressos de cinema, para participar. Isso porque um baixo comparecimento poderia colocar em dúvida a legitimidade da vitória de Medvedev.
O candidatos Zyuganov e Zhirinovsky contestaram os resultados. E o poucos observadores independentes que acompanharam as eleições também se disseram preocupados, por exemplo, com o índice extraordinário de mais de 90% de comparecimento registrado em algumas regiões. O Kremlin, porém, nega qualquer irregularidade.
A coalizão Rússia Unida, que reúne grupos de oposição e conta com a participação do ex-campeão mundial de xadrez, Garry Kasparov, disse que irá realizar uma passeata em protesto contra as eleições de domingo nas ruas de Moscou e São Petersburgo nesta segunda-feira.
Medvedev chega à Presidência russa aos 42 anos depois de trabalhar de perto ao lado do ex-presidente Vladimir Putin desde os anos 90. A vitória foi possível, segundo analistas, graças à alta popularidade de Putin, que deixa o poder depois de oito anos. A Constituição russa não permite um terceiro mandato consecutivo.
Apesar da saída de Putin do Kremlin, sede da Presidência, muitos se perguntam quem estará de fato no comando do país. Mas essa é apenas uma das questões desse período pós-eleição. Outra é se Medvedev terá a mesma sorte de Putin, que governou em um período de alta da demanda e dos preços do petróleo e do gás, produtos que o país têm em abundância. E se ele terá condições de enfrentar os desafios que tem pela frente.
Petróleo e inflação
A economia da Rússia é altamente dependente da produção e demanda de petróleo e gás, que represent