Rio de Janeiro, 15 de Março de 2026

Após discurso inflamado, a expulsão do neto de Pinochet

Quinta, 14 de Dezembro de 2006 às 10:22, por: CdB

O neto do ex-presidente chileno Augusto Pinochet foi expulso do Exército, segundo ordem publicada no Diário Oficial chileno nesta quinta-feira, por causa de um discurso não autorizado proferido durante o funeral do avô. A exoneração do capitão Augusto Pinochet Molina, de 34 anos, foi encaminhada pelo comandante do Exército, general Oscar Izurieta, à presidente Michelle Bachelet, que a teria aprovado imediatamente, segundo informações da agência espanhola de notícias EFE.

A expulsão foi anunciada horas depois de Bachelet afirmar que o Exército "saberia o que fazer" com o neto do ex-presidente, que interrompeu a cerimônia fúnebre em um colégio militar em Santiago, na terça-feira, para falar sobre as supostas conquistas do regime militar liderado por Pinochet (1973-1990).

- Ele foi um homem que, no auge da Guerra Fria, derrotou o modelo marxista, (um modelo) que tentou impor o totalitarismo não pelo voto, mas pela força das armas - disse Augusto Pinochet Molina, diante das cerca de 5 mil pessoas que participaram da cerimônia.

Além dos elogios ao avô, o neto do ex-líder militar criticou os juízes que indiciaram Augusto Pinochet. O ex-presidente morreu no domingo aos 91 anos de idade sem responder a diversos processos por acusações relacionadas aos desaparecimentos e mortes de 3 mil pessoas e, mais recentemente, por corrupção.

'Falha gravíssima'

Para Bachelet, Pinochet Molina "passou por cima da linha de comando" e, "sem autorização para falar", expressou "opiniões políticas contra um poder de Estado e setores da sociedade civil".

- Isso constitui uma falha gravíssima e estamos certos de que o Exército saberá fazer o que cabe - disse a presidente, que foi presa e exilada durante o governo de Pinochet.

Apesar da repressão a dissidentes políticos, o general era adorado por muitos chilenos, que acreditam que ele salvou o país do marxismo e trouxe crescimento econômico à nação.

O corpo do general foi cremado na terça-feira e suas cinzas entregues à família. Segundo correspondentes, os familiares de Pinochet não querem que um túmulo ou um memorial se tornem locais de protesto.

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