Rio de Janeiro, 29 de Outubro de 2026

Após destaque no Santos, Márcio Fernandes se aventura no interior

Sexta, 09 de Setembro de 2011 às 04:30, por: CdB

Leonardo Carvalho
Especial para o site da FPF

Um dos descobridores dos talentosos Robinho e Diego. Esse poderia ser o cartão de visitas de Márcio Fernandes, 49 anos e atualmente é o comandante do Comercial. Ao longo de sua carreira como treinador, teve dois momentos memoráveis: salvou o Santos, em 2008, do rebaixamento no Campeonato Brasileiro; em 2010, conquistou o Campeonato Paulista da Série A3, com o Red Bull Brasil e em 2011 teve o acesso à Série A1 do Campeonato Paulista com o Comercial.

Márcio Fernandes iniciou sua carreira nas categorias de base do Santos em 1978. Passou três anos no clube de Baixada Santista. Em seu primeiro ano, fazia parte do elenco campeão do Campeonato Paulista. Em 1981, transfere-se por empréstimo para o Paysandu (PA) e conquista seu segundo título como jogador, o Campeonato Paraense. Segundo ele, um dos maiores momento de sua carreira como atleta.

No mesmo ano, volta ao Santos, onde fica até 1984. Após este período, passa por diversos clubes, entre eles a Ferroviária, Santo André e Rio Branco. Em 1997, já encaminhando para o fim de sua carreira, joga pelo Jabaquara, um dos times que sempre sonhou jogar. Realizado o sonho, encerra sua carreira no mesmo ano.

Sua primeira chance como treinador foi dada pelo Marcílio Dias, time do Paraná. Em 2002, já no Santos, ajuda na descoberta dos ‘Meninos da Vila’ Robinho, Alex, Diego, Renato, Elano entre outros. O ponto alto de sua passagem pelo Santos foi em 2008. Naquele ano, o time estava muito mal e corria risco real de rebaixamento no Brasileirão, porém, com um trabalho excelente, conseguiu safar o time da Baixada Santista do descenso.

Em 2010, comandou o Red Bull Brasil e alcançou seu primeiro título na carreira de técnico: o Campeonato Paulista da Série A3. Com essa conquista, recebe o convite para dirigir o Comercial, seu clube atual que vem fazendo boa campanha na Copa Paulista de Futebol em preparação para a volta à elite depois de 25 anos.

FPF: Como foi seu início como jogador nas categorias de base do Santos?
Fernandes: Foi um início difícil. O Santos é conhecido por ter uma das categorias de base mais fortes do país, então a concorrência era grande. Porém, consegui me destacar e permanecer no clube. Nesse mesmo ano fomos campeões paulistas (1978), então diria que foi bom meu primeiro ano de Santos.

FPF: Como foi sair de um clube estruturado como o Santos para um clube sem tanta estrutura como o Fortaleza?
Fernandes: Foi um pouco complicado justamente por conta da estrutura. Entretanto, posso dizer que foi satisfatório. Aprendi muito no Fortaleza e não tenho nada do que reclamar. Foi muito proveitosa minha passagem por lá.

FPF: Qual sua maior lembrança dos tempos como jogador de futebol?
Fernandes: Acredito que foi no Rio Branco. Fiz alguns amigos lá na minha passagem. A torcida me apoiou muito na minha passagem. Acredito que minhas melhores lembranças dos tempos de jogador foram no Rio Branco de Americana.

FPF: Quando você decidiu que era a hora de pendurar as chuteiras?
Fernandes: Foi uma decisão difícil, mas percebi que era a hora de parar de jogar bola quando meu corpo não acompanhava mais o ritmo dos outros jogadores. Todos os jogadores têm esse momento, é difícil aceitar que no dia seguinte não poderá fazer o que você fez por tantos anos.

FPF: Como foi participar da formação dos meninos de ouro do Santos como Robinho e Diego?
Fernandes: Foi uma experiência fantástica. Logo quando cheguei no Santos, já vi a qualidade do Robinho e do Diego. Eram diferenciados e muito técnicos. A estrutura que eles tinham lá também contribuiu muito para eles desenvolverem as habilidades deles. Para mim, foi muito bom ter aquela oportunidade.

FPF: Qual foi a sensação de conquistar a Série A3 do Campeonato Paulista pelo Red Bull Brasil?
Fernandes: Foi a minha melhor experiência como treinador. O time do Red Bull era excelente e tínhamos um ambiente fantástico. A equipe havia entendido bem a nossa proposta de trabalho e lutou muito para conseguir aquele troféu. A sensação para mim foi fantástica. É sempre bom conquistar títulos, não importam quais.

FPF: Para você, qual a maior dificuldade em ser técnico de futebol de times do interior?
Fernandes: A estrutura de trabalho e o orçamento é algo que nos dificulta muito. Os clubes não têm tanto dinheiro como os grandes times do Brasil, então é normal encontrarmos dificuldades. Para mim, a estrutura e o lado financeiro são as maiores dificuldades de ser treinador no interior.

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