Temer disse ainda ser “constrangedor” e “extremamente desagradável” ter sido citado nas delações da Odebrecht como tendo negociados recursos ilegais para o PMDB e espera que alguns de seus assessores peçam demissão
Por Redação - de Brasília
O presidente de facto, Michel Temer, admitiu nesta segunda-feira que é “constrangedor” ver o país envolvido na série de denúncias de corrupção das delações de executivos da Odebrecht. Admitiu, ainda, que alguns de seus ministros podem pedir demissão. Mas reiterou que mantém a linha de corte de só afastar quem for denunciado ao Supremo Tribunal Federal (STF).
— É muito provável que alguns ministros fiquem desconfortáveis e acreditem que não podem continuar — disse Temer.
Ele acrescenta, no entanto, que não irá mudar sua linha de corte.
— Não vou demitir ou exonerar porque alguém falou de outro. Quando houver provas robustas, pela hipótese da denúncia, daí começo a tomar providências — acrescentou.
Governabilidade
Temer disse ainda ser “constrangedor” e “extremamente desagradável” ter sido citado nas delações da Odebrecht como tendo negociados recursos ilegais para o PMDB, por “se tratar de uma inverdade”, mas assegurou que as delações não irão “prejudicar a governabilidade”.
— É muito desagradável e extremamente constrangedor porque se trata de uma inverdade — diz ele.
Em uma das delações tornadas públicas na semana passada, um dos executivos da Odebrecht, Márcio Faria, afirmou ter tido uma reunião no escritório de Temer em São Paulo em 2010 onde se tratou do pagamento ao PMDB de propina de um contrato da Petrobras.
Lava Jato
O presidente negou, primeiro em uma nota e depois em um vídeo distribuído nas redes sociais, ter participado da negociação, mas admitiu a reunião. O executivo da empreiteira disse que entregou aos procuradores um email mostrando que participaria da reunião no endereço do escritório de Temer.
Questionado na entrevista à rádio Jovem Pan se não achava preocupante o grau de corrupção revelado pelas delações da Lava Jato, o presidente concordou que era "estarrecedor, preocupante e muito desagradável", mas que as acusações não podem paralisar o país.
— Devo dizer que não pode prejudicar a governabilidade. A tendência é dizer que o governo vai parar, mas o governo não pode parar. Digo que não vamos parar — acredita. Ele lembrou que, no domingo, houve uma reunião no Palácio da Alvorada sobre reforma da Previdência. Outras acontecerão esta semana, com a leitura do relatório na comissão especial na terça-feira.
Temer também admitiu que a reforma a ser apresentada pela relator não será para durar 30 ou 40 anos. Era o que governo pretendia originalmente, mas disse que é necessário negociar com o Congresso.