O dólar fechou em alta pela quarta vez consecutiva nesta quinta-feira, após forte disparada no fim do pregão em meio às incertezas sobre a saúde econômica global, apesar das diversas operações do Banco Central no mercado doméstico.
A moeda norte-americana subiu 3,80%, a 2,376 real. Nesta semana, o dólar acumula alta de quase 10%.
Nos últimos minutos antes do fechamento, a divisa disparou, chegando a atingir a máxima a 2,400 reais.
Segundo Mario Battistel, gerente da Fair Corretora, o salto da moeda norte-americana foi mais um movimento "especulativo", ressaltando que os investidores estrangeiros possuem fortes posições compradas - que funcionam como uma aposta contra o real.
De acordo com o últimos dados atualizados pela Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), os estrangeiros possuíam mais 13 bilhões de dólares em posições compradas.
Battistel ponderou que a valorização do dólar nesta sessão se deve a outros fatores, como os comentários do secretário do Tesouro norte-americano, Henry Paulson, na véspera e as notícias de que Alemanha entrou em recessão econômica.
- Hoje tem uma pressão de saída, temos uma demanda mais forte - afirmou Luis Piason, gerente de operações de câmbio, lembrando que o volume de negócios desta sessão está acima da média dos últimos dias.
Nos mercados acionários a volatilidade dava o tom do dia. Durante o fechamento do mercado cambial, as bolsas de valores em Nova York perdiam mais de 2%, enquanto que a Bovespa caía cerca de 1%.
Piason reforçou ainda que o Banco Central precisa usar "todo o seu arsenal" para conter o valorização da moeda norte-americana.
Nesta quinta-feira, o BC realizou três operações distintas no mercado cambial. A autoridade vendeu 1,302 bilhão de dólares em leilão voltado especificamente para incentivar o financiamento às exportações, colocou no mercado 10 mil contratos swaps cambiais e ainda realizou dois leilões de dólar no mercado à vista.
- O Banco Central está tentando fazer com que a liquidez chegue nas empresas, mas a gente não tem visto isso - afirmou Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso Corretora.
Segundo Galhardo, a autoridade teria que entrar com um maior volume financeiro no mercado, utilizando as grandes quantias disponibilizadas pelas reservas internacionais. De acordo com o últimos dados atualizados pelo BC, tais reservas ultrapassam os 204 bilhões de dólares.