Alessandro Yara Rossi
Especial para o site da FPF
Moacir Júnior, de 44 anos, atual treinador do Oeste, que disputa a Copa Paulista e o Campeonato Brasileiro da Série D, teve como base o estado de Minas Gerais: jogou como zagueiro e volante nas categorias de base do Cruzeiro (MG), de 1981 a 1988, chegou ao time profissional, mas disputou apenas um jogo sob o comando de Carlos Alberto Silva.
Posteriormente foi emprestado diversas vezes: passou pelo Atlético de Três Corações (MG), Fabril (MG), Vitória (ES), entre outras equipes do Brasil. Até ir para o seu maior desafio na carreira: atuar na Europa, mais precisamente na Alemanha por onde jogou pelo Sendling, Aindling e Augsburg, todos da segunda divisão, depois se transferiu para o futebol austríaco e passou por Admira Wacker e Donaufeld, seu último clube, encerrando a carreira em 1996, por conta de uma séria lesão no tornozelo.
Como ainda tinha contrato com o Donaufeld, os diretores lhe propuseram a sua primeira experiência como treinador na escolinha do clube para desenvolver novos talentos. Nisso Moacir pegou gosto e na sua volta ao Brasil se formou em Educação Física e realizou diversos cursos preparatórios para virar técnico.
Comandou as categorias de base da Tombense (MG) e viu o início de carreira do centroavante da seleção brasileira, Fred, além do meia Cícero, que atualmente joga pelo São Paulo. Em 2003 assumiu o Comercial, foi campeão da segunda divisão do campeonato mineiro pelo Social (MG) e duas passagens de sucesso por Tupi (MG) e Democrata (MG), onde chegou até as semifinais. Agora ele busca o mesmo sucesso no Oeste de Itápolis nesta temporada.
FPF: Mesmo com apenas uma partida pelo profissional do Cruzeiro (MG), foi uma experiência positiva?
Júnior: Sim, bastante. Fiquei sete anos no Cruzeiro (MG), aprendi muito com o Carlos Alberto Silva, que sempre procurou aliar a parte teórica e prática, por isso conseguiu o título do Brasileirão em 1978 pelo Guarani e até hoje me espelho nele quando comando um time.
FPF: Como foi jogar no continente europeu?
Júnior: A adaptação na questão climática principalmente, já o idioma aprendi rápido e falo fluente. Passaram-se 11 anos que estive na Alemanha, mas ainda mantenho contatos até hoje para não perder o idioma. Outro ponto importante é a organização que tem o futebol lá, apesar de não ter a praticidade daqui, até competições baixas, a organização é primorosa, isso está mudando aos poucos aqui.
FPF: Você pretende voltar à Alemanha ou para a Áustria futuramente?
Júnior: Se acontecer e tiver condições não vejo problemas, é uma experiência única, quero que os meus filhos vivam lá também, assim ganharão uma grande bagagem e valor cultural.
FPF: Qual foi o seu melhor momento como treinador na carreira?
Júnior: Além do título que tive pelo Social (MG) na Série A2 do campeonato mineiro, tenho como muito orgulho ter chegado às semifinais do estadual com o Tupi (MG) uma vez e o Democrata (MG) duas vezes. Desbancamos o América (MG) e o Ipatinga (MG) de uma forma categórica, infelizmente não conseguimos o título, mas foi um grande feito.
FPF: Cite algum momento inusitado em sua carreira de treinador?
Júnior: Em 2008 quando estava no Tupi (MG), enfrentávamos o Guarani (MG) e na ocasião chovia e falei para o Silas, que era o meia e tem um bom chute, que arriscasse de fora da área. Ele não fez isso no primeiro tempo, na volta do intervalo cobrei-o novamente se não marcasse em cinco minutos iria tirá-lo. Nisso o Silas chutou e marcou um golaço, depois veio comemorar na minha direção e pulou em mim para me abraçar, fui derrubado por ele e no dia seguinte estamparam esta manchete nos jornais: ‘Jogador derruba técnico no campeonato mineiro’.
FPF: Você revelou o atacante Fred, que veste a camisa da seleção brasileira. Isso lhe dá orgulho?
Júnior: Logo nas categorias de base da Tombense (MG) já era nítido o seu poder de finalização, apenas orientei que melhorasse em outros aspectos e colocasse a cabeça no lugar. Ele conseguiu e tem tudo para evoluir ainda mais na carreira.
FPF: Você já revelou outro atleta que faz sucesso atualmente no futebol brasileiro?
Júnior: O Éder Luís que é atacante do Vasco (RJ) comandei ele no Comercial e logo vi o seu potencial, tanto que lhe indiquei ao Atlético (MG) em 2004.
FPF: Você procura passar muito a parte teórica aos jogadores?
Júnior: Após os jogos, sempre mostro uma edição de jogos anteriores, com lances positivos e negativos, nisso resumo uma partida em dez minutos de duração e o resultado é positivo por parte dos atletas que absorvem muito bem.
FPF: Quais ensinamentos você passa para quem procura virar técnico?
Júnior: Muita preparação, infelizmente muitos querem virar treinador do dia para a noite. Hoje tem que passar por todos os caminhos, do infantil ao sub 20, até ser auxiliar e por fim, o último estágio que é técnico. Você acompanha vários métodos e faz um parâmetro do que utilizará futuramente.