Há cerca de dois anos, em 4 de junho de 2001, o Brasil começou a viver o primeiro racionamento de energia desde a inauguração de Furnas, na década de 50. A economia feita por conta da ameaça do "apagão" durou nove meses, durante os quais os consumidores tiveram de reduzir compulsoriamente a cota de energia usada. Houve corte de 20% em residências durante seis meses. Na indústria, o corte foi de 35%. De quebra, os consumidores viram suas contas mensais dispararem, a fim de compensar as perdas das geradoras e distribuidoras. Com o racionamento, os brasileiros se acostumaram a usar menos energia. Mesmo após o fim desse período, muitos mantiveram o consumo no patamar anterior. Alguns por costume, outros por economia. Hoje, o consumo de energia total no País está abaixo do de 2000 ou do início de 2001, período pré-racionamento. No último balanço que a Eletrobrás divulgou, foi verificado um consumo de 25,284 TWh em todo País no mês de março. Em 2000, no mesmo mês, o patamar era de 25,3 TWh. Em março de 2001, o nível era de 26,3 TWh. O consumo de hoje é, entretanto, maior que no ano passado, quando foram usados 23 TWh. Além da mudança de hábito do consumidor, o freio no crescimento da economia também contribui para a baixa demanda. Hoje, há cerca de 7,5 mil MW médios sobrando no mercado, ou 17% a mais que a capacidade de consumo. Isso sem levar em conta a energia emergencial e de usinas térmicas. Indústria e residência O setor que menos mostra avanço no consumo energético é a indústria. Não por coincidência esse segmento vem demonstrando fraco desempenho econômico neste ano. Em março, a produção industrial do País caiu 3,4% em março em relação a fevereiro, de acordo com o IBGE. O Carnaval, que caiu em março, também contribuiu para a queda. No primeiro trimestre de 2003, a produção do setor caiu 1,1% em relação ao último trimestre de 2002. A participação da indústria no consumo energético em março deste ano foi de 41,8% do total. Em 2002, era de 44,6%. Em 2001, de 41,1%. A previsão era que o consumo, neste primeiro trimestre, fosse de 3,1% a mais. O consumo residencial também não mostra avanços significativos, embora esteja dentro da previsão da Eletrobrás. O consumo médio mensal por consumidor residencial em março deste ano foi igual ao do mesmo mês em 1989. Em relação ao ano passado, houve crescimento de 5,2% no consumo residencial total. Hábito A queda da renda e o aumento do desemprego também forçaram a economia nas casas brasileiras. No entanto, após um ano e três meses do fim do racionamento, muitos descobriram que gastavam mais do que precisavam. O corretor de seguros Robert Cook, 55, gastava 2, 2 mil KW em janeiro de 2001, com três pessoas em casa. A meta estabelecida pelo governo para ele era de 1,5 mil KW. De janeiro a junho, ele foi diminuindo progressivamente o consumo, chegando aos 1,2 mil KW. Em setembro, o consumo já era de 600 KW, menos de um terço do gasto em janeiro daquele ano. Para chegar a esse número, entretanto, Cook fez uma verdadeira mudança de hábitos. "Eu evidentemente estava torrando energia", diz. Em primeiro lugar, das três geladeiras funcionando, só ficou uma. O freezer foi aposentado. O aquecedor de água elétrico também. Ar-condicionado e ventiladores, o mínimo possível. Nada mais de sauna. O amplo terreno do lado de fora da casa ficou às escuras durante a noite. Embora tenha trocado as lâmpadas internas por outras mais econômicas, o corretor adotou uma medida radical. "À noite, eu ia de quarto em quarto de lanterna, não acendia as lâmpadas." O único "luxo" continuou sendo a TV ligada. Com o fim do racionamento, a lanterna foi deixada de lado, mas muitos dos hábitos ficaram. Na última conta, foram gastos 960 KW, menos da metade do usado no período pré-racionamento. Isso sem esforço: "Não sinto nenhum problema com o que consumo. Não sinto que estou fazendo racionamento". O único problema é o valor da conta, que subiu significativame
Após apagão, brasileiros ainda poupam energia
Há cerca de dois anos, em 4 de junho de 2001, o Brasil começou a viver o primeiro racionamento de energia desde a inauguração de Furnas, na década de 50. A economia feita por conta da ameaça do "apagão" durou nove meses, durante os quais os consumidores tiveram de reduzir compulsoriamente a cota de energia usada. (Leia Mais)
Sexta, 13 de Junho de 2003 às 07:56, por: CdB