Rio de Janeiro, 03 de Abril de 2026

Após a tragédia, cessar-fogo de 48 horas

Após o bombardeio à cidade de Qana, no sul do Líbano, que deixou 54 civis mortos - entre eles 37 crianças - o governo israelense concordou com a suspensão imediata dos ataques aéreos àquela região por um prazo não inferior a 48 horas. O objetivo do cessar-fogo é permitir uma investigação sobre a ação que resultou na maior tragédia humanitária do conflito até agora. Segundo o Departamento de Estado norte-americano, Israel se ofereceu para coordenar, junto com a Organização das Nações Unidas (ONU), no prazo de 24 horas, uma força-tarefa para que moradores do sul do Líbano deixem a área de conflito. (Leia Mais)

Domingo, 30 de Julho de 2006 às 17:09, por: CdB

Após o bombardeio à cidade de Qana, no sul do Líbano, que deixou 54 civis mortos - entre eles 37 crianças - o governo israelense concordou com a suspensão imediata dos ataques aéreos àquela região por um prazo não inferior a 48 horas. O objetivo do cessar-fogo é permitir uma investigação sobre a ação que resultou na maior tragédia humanitária do conflito até agora. Segundo o Departamento de Estado norte-americano, Israel se ofereceu para coordenar, junto com a Organização das Nações Unidas (ONU), no prazo de 24 horas, uma força-tarefa para que moradores do sul do Líbano deixem a área de conflito.

Famílias de desabrigados estavam se refugiando no porão de um prédio de três andares que foi destruído no bombardeio. Dezenas de pessoas ainda podem estar presas nos escombros. O porta-voz do Departamento de Estado Adam Ereli, durante entrevista em Jerusalém, voltou a acusar a guerrilha do grupo xiita Hezbollah de responsável pelo uso de civis como escudos humanos.

- O Hezbollah deliberadamente coloca civis libaneses em perigo para matar mais civis israelenses.

Tragédia

O ataque israelense aumentou a pressão internacional para um cessar-fogo da ofensiva de Israel no Líbano contra o grupo guerrilheiro Hezbollah. O ataque a Qana foi o mais violento nos 19 dias de guerra e impôs o fim da mediação da secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, no conflito. O governo libanês disse que ela não era bem-vinda ao país para negociações. Autoridade do ministério das Relações Exteriores libanês disse, em uma sessão de emergência do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), que 60 pessoas foram mortas, a maioria mulheres e crianças. Mas a polícia declarou 54 mortos, incluindo 37 crianças. Qana, cerca de 11 quilômetros da fronteira com Israel, foi atacada à 1h30 da madrugada de domingo, horário local. Muitos morreram enquanto dormiam.

O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, pediu ao Conselho de Segurança para condenar os ataques e pedir o fim imediato do conflito.

- Eu estou profundamente consternado que meus pedidos prévios para um cessar-fogo imediato não foram ouvidos - disse Annan.

O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, expressou "profundo pesar" pelo bombardeio, mas afirmou que a guerra contra o Hizbollah iria continuar. Mais tarde, contudo, o Departamento de Estado norte-americano informou que Israel concordou em suspender por 48 horas os ataques aéreos no sul do Líbano para permitir uma investigação sobre o bombardeio em Qana.

O embaixador israelense na ONU, Dan Gillerman, disse ao Conselho de Segurança que Qana é um "centro de atividades do Hezbollah" e que Israel havia suplicado a seus residentes para deixar o local. Mas o Líbano afirma que os ataques aéreos e terrestres de Israel tornaram impossível a retirada.

Primeiro-ministro britânico, Tony Blair disse que o conflito tem que terminar uma vez que a resolução da ONU exigindo um cessar-fogo seja aprovada.

- O que aconteceu em Qana mostra uma situação que simplesmente não pode continuar - disse.

Já o primeiro-ministro libanês, Fouad Siniora, garantiu que não negociará antes de um cessar-fogo, anulando a visita de Rice. Mais tarde, Rice disse ter cancelado sua visita a Beirute.

O conflito teve início em 12 de julho, quando o Hezbollah seqüestrou dois soldados israelenses.

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