Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Após 35 anos, Charles e Camilla finalmente trocam alianças

Sábado, 09 de Abril de 2005 às 06:59, por: CdB

O príncipe Charles, herdeiro da coroa britânica, se casa finalmente no sábado com Camilla Parker-Bowles, sua amante há décadas, sempre acusada de destruir o conto de fadas que foi a união dele com a falecida Diana.

O casamento, cheio de contratempos desde que foi anunciado, foi recebido sem grande entusiasmo pelos britânicos, que não escondem sua antipatia pela idéia de que Camilla venha a ser a rainha do país.

A própria rainha Elizabeth II, que nunca engoliu os 35 anos de relacionamento entre seu primogênito e Camilla, não vai comparecer à cerimônia civil do casamento, marcada para a modesta prefeitura de Windsor.

A festa enfrenta problemas desde o começo. Inicialmente, cerimônia teve de ser transferida do castelo de Windsor para a prefeitura, devido a uma confusão sobre os documentos necessários.
Na semana passada, a cerimônia foi adiada em 24 horas, para que Charles pudesse viajar a Roma e acompanhar o funeral do papa João Paulo II No Vaticano, o príncipe se envolveu em mais um constrangimento, ao apertar a mão do presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, qualificado como ditador pelo governo.

- O príncipe de Gales foi apanhado de surpresa e não estava em posição de evitar apertar a mão do senhor Mugabe - disse um porta-voz de Charles.

Camilla, esperando em vão que a cerimônia fosse discreta, disse que se trata apenas de "dois velhos se unindo". Ela divorciada, mãe de dois filhos, sabe que é quase impossível conseguir o afeto dos futuros súditos de Charles, que ainda reverenciam a memória de Diana, a "princesa do povo", morta em um acidente em 1997, um ano depois de se divorciar do príncipe.

O contraste entre os dois casamentos de Charles não poderia ser maior. No caso de Diana, em 1981, houve grande pompa e circunstância na grandiosa catedral de São Paulo, em Londres. No sábado, apenas 30 pessoas vão assistir à cerimônia civil.

As pesquisas mostram que a maioria dos britânicos concorda que Charles se case de novo, mas menos de dez por cento querem que Camilla se torne rainha algum dia.

- Vai saber se as pessoas não vão atirar tomates ou ovos podres neles - disse Judy Wade, que cobre a realeza para a revista de celebridades Hello.

Após delicadas negociações de bastidores com as instituições britânicas, Charles, 56, e Camilla, 57, conseguiram a aprovação tácita da Igreja e do Estado. O primeiro-ministro Tony Blair comparecerá a uma cerimônia religiosa a ser conduzida na capela do castelo de Windsor pelo arcebispo de Canterbury, Rowan Williams, líder espiritual dos 77 milhões de anglicanos do mundo.

Tradicionalistas anglicanos se opuseram com veemência à idéia de que o futuro chefe da Igreja da Inglaterra se case na igreja. Por isso, haverá apenas uma cerimônia civil seguida de uma bênção.

Durante a cerimônia na capela, Charles lerá uma antiga confissão solene, pela qual pedirá perdão por seus "múltiplos pecados e maldades" e prometerá fidelidade a Camilla.

O dia deve sem dúvida despertar lembranças dolorosas nos filhos de Charles, William e Harry, que viram de perto o colapso do casamento dos pais e a perda da mãe.

Mas o biógrafo real Robert Lacey acha que eles são fleumáticos o suficiente para lidarem com a pressão.

- Como os filhos de qualquer casamento partido, eles podem ver justiça e dor de ambos os lados. Eles provavelmente julgam menos que todo mundo. Não acho que eles vejam Camilla como uma madrasta malvada.

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