O diálogo do governo com a ala oposicionista do PMDB para um maior apoio no Congresso terá mais êxito se não for atrelado às eleições do próximo ano, avaliou nesta segunda-feira o presidente do diretório paulista do partido, Orestes Quércia.
- Acho que podemos trabalhar com o governo na Câmara dos Deputados e do Senado Federal, mas sem tratar de sucessão - afirmou Quércia a jornalistas ao deixar o Palácio do Planalto, após encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Uma das dificuldades para discutir 2006 nesse momento, continuou Quércia, seria a resistência de diretórios importantes, como o paulista, que insistem em lançar um candidato próprio na eleição presidencial.
- Em São Paulo é muito difícil ter uma aliança porque nós queremos um candidato a presidente - disse o ex-governador paulista, que se colocou no topo da lista para disputar o comando do Estado.
Com o objetivo de unificar o apoio do partido, principalmente na Câmara, onde a bancada governista conta com metade dos 87 deputados, Lula tem conversado pessoalmente com setores do PMDB que queriam se desligar do governo.
A reaproximação é patrocinada pelo ministro José Dirceu (Casa Civil) e articulada com o presidente nacional peemedebista, deputado Michel Temer (SP), ele próprio um "oposicionista" e que também foi recebido pelo presidente Lula.
Na semana passada, Dirceu esteve com os governadores do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto, e do Rio de Janeiro, Rosinha Matheus.
O chefe da Casa Civil encontra-se nesta semana, provavelmente na quarta-feira, com o governador de Santa Catarina, Luiz Henrique (PMDB). Em pauta, a política de alianças, já que o PT faz oposição ao peemedebista no Estado.
Junto com o governador do Paraná, Roberto Requião, os governadores do Sul fecharam um pré-acordo em torno do nome de Rigotto ao pleito presidencial de 2006. Os diretórios dos três Estados são os principais problemas para a composição de uma chapa.
Quércia admitiu que o objetivo principal com a candidatura própria é o fortalecimento do partido no Congresso. Ele lembrou que, quando disputou a Presidência em 1994, teve uma votação inexpressiva, mas isso possibilitou o aumento das bancadas no Senado e na Câmara.
Além da interlocução com o Planalto, Temer tem trabalhado firme na reestruturação da bancada. Uma composição entre os deputados José Borba (PR), e Eliseu Padilha (RS), respectivamente o líder e o principal vice-líder da bancada na Câmara foi a saída encontrada.
O primeiro é porta-voz do grupo governista, e o segundo, interlocutor da ala oposicionista, atuou contra Lula e foi ministro dos Transportes do governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).
José Borba garantiu nesta segunda-feira que as conversas do presidente com os setores oposicionistas têm surtido efeito e citou, como exemplo, a retomada de sua interlocução com o grupo.
- As coisas estão melhorando no relacionamento do dia-a-dia, percebo que a bancada quer somar - afirmou.
Os esforços, no entanto, ainda não foram traduzidos na união efetiva do partido. Nas últimas votações que ocorreram na Câmara a fotografia permanece inalterada. Os governistas mantiveram-se governistas e os dissidentes continuaram dissidentes.
- Não dá para haver uma mudança do dia para a noite. Nós não podemos viver na expectativa de quem ontem era azul e hoje se torna vermelho. As coisas mudam gradativamente - ponderou Borba.
Apoio a Lula no Congresso independe de 2006, diz Quércia
Segunda, 04 de Abril de 2005 às 14:44, por: CdB