Apoiar os Estados Unidos na guerra do Iraque aumentou a ameaça de ataques contra a Grã-Bretanha, disse um renomado instituto nesta segunda-feira.
Em um relatório cuja leitura pode ser desconfortável para o primeiro-ministro Tony Blair depois dos atentados de 7 de julho em Londres, especialistas em terrorismo disseram que a Grã-Bretanha sofre por "pegar carona" com os EUA.
Os especialistas Frank Gregory e Paul Wilkinson disseram que a guerra do Iraque ampliou o recrutamento e o financiamento da Al Qaeda, apontada como responsável pela ação que matou 55 pessoas no transporte público de Londres.
- O Reino Unido está particularmente sob risco por ser o aliado mais próximo dos Estados Unidos - disseram os especialistas do Real Instituto de Assuntos Internacionais.
O secretário de Defesa, John Reid, rejeitou as conclusões do relatório, argumentando que o terrorismo é um problema global a ser enfrentado por toda a comunidade internacional.
- Uma das lições da história é que fugir disso não melhora em nada. Qualquer criança no parquinho sabe que a idéia de que se você simplesmente evitar o brigão ele não virá para cima de você é uma idéia refutada pela experiência histórica - disse Reid à BBC.
O relatório foi divulgado no dia em que o ministro do Interior, Clarles Clarke, se reúne com a oposição em busca de consenso para novas leis contra o terrorismo.
Blair sempre rejeitou a tese de que a participação britânica nas guerras do Iraque e do Afeganistão tornou o país menos seguro. Ele afirma que o terrorismo, inclusive os ataques de 11 de setembro de 2001 contra os EUA, já eram uma ameaça bem antes desses conflitos e que o problema atinge muitos países.
Mas os especialistas em segurança dizem que os britânicos passaram muitos anos preocupados demais com os extremistas republicanos da Irlanda.
- Por dar baixa prioridade ao terrorismo internacional, as autoridades britânicas não examinaram completamente a ameaça da Al Qaeda - disse o relatório.
Wilkinson e Gregoy disseram que a Grã-Bretanha errou ao equiparar suas medidas antiterror à dos EUA, já que ambos os países não estão em pé de igualdade.
- Pegar carona com um aliado poderoso já se provou custoso em termos de vidas militares britânicas e norte-americanas, vidas iraquianas, gastos militares e danos causados à campanha de contraterrorismo - disseram eles.
Eles afirmaram que a Al Qaeda se fortaleceu com a guerra do Iraque.
- Ela reforçou a propaganda, o recrutamento e o financiamento - concluiu o relatório.
Mas os especialistas admitiram que é "notoriamente difícil prevenir ataques suicidas coordenados sem aviso prévio, o modus operandi característico da Al Qaeda".
- Essa é a ameaça terrorista mais perigosa já imposta por atores não-estatais - afirmou o texto.