Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Apesar do reconhecimento, poderes de João Paulo II eram limitados

Sábado, 02 de Abril de 2005 às 15:17, por: CdB

O líder da Igreja Católica é, sem sombra de dúvida, o líder mais conhecido no mundo. Mas o poder do papa João Paulo II sobre os mais de 1,1 bilhão de católicos no mundo não correspondia à sua fama. Sua influência era limitada e pode até ter diminuído durante seu longo reinado.

O papado de 26 anos lhe garantiu, na teoria, influência quase absoluta sobre os fiéis, e ele conquistou o respeito de líderes mundiais e a adoração de multidões em todo o planeta. Grande parte da influência do Papa, no entanto, pode ser chamada de um "poder tênue", que atingia apenas os dispostos a ouvir, mas não aplicável àqueles que não estavam. Sua mensagem foi minada por tendências modernas, que fez com que muitos católicos ignorassem seus ensinamentos.

Com isso, o histórico de João Paulo II tem pontos negativos e positivos. Primeiro papa não-italiano em mais de 400 anos, ajudou a derrotar o comunismo em sua Polônia natal e inspirou a expansão da Igreja no Terceiro Mundo. Mas, na Europa, o máximo que conseguiu foi conter um pouco o êxodo dos fiéis e a crescente independência dos católicos.

"Ele é um líder simbólico e impõe enorme respeito como tal", disse o professor Nicholas Atkin, historiador especializado em Igreja, da Universidade de Reading, na Inglaterra, uma semana antes da morte do Pontífice. "Mas as pessoas ignoram confortavelmente várias de suas ordens. Principalmente na Europa Ocidental, muitos se tornaram 'católicos self-service', escolhendo o que gostam."

O exemplo mais recente da queda de sua influência, em conseqüência de tendências mais seculares, é o que acontece na antes fervorosamente católica Espanha, desde a chegada dos socialistas ao poder, em março de 2004. Quando o Papa criticou o aumento da indiferença religiosa na Espanha, depois de o governo ter dito que legalizaria o casamento gay, um ministro replicou afirmando que ele devia parar de pensar no sexo e se perguntar por que as pessoas estão abandonando a Igreja.

Seus esforços diplomáticos contra a guerra no Iraque não a impediram, e integrantes da Igreja Católica norte-americana o ignoraram. "Sei o que ele diz, mas enterrei 15 vítimas de 11/9 e estou cheio do terrorismo", disse um padre de Nova York antes da guerra. "O Papa tem tido dificuldade em falar à sociedade agnóstica ocidental, e isso o aflige", disse Austen Ivereigh, porta-voz do cardeal da Inglaterra Cormac Murphy O'Connor. "Mas, por outro lado, através de sua fragilidade ele conseguiu transmitir mensagens admiráveis sobre o conceito de liderança."

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