O ingresso de dólares continua a superar a saída da moeda norte-americana no país
O ingresso de dólares no país superou, nesta quarta-feira, as saída em US$ 1,215 bilhão, neste mês, até o dia 22, de acordo com dados do Banco Central (BC), divulgados às quartas-feiras, em um sinal diverso do que o noticiário econômico interno tem sugerido. No período, somente o segmento financeiro (investimentos em títulos, remessas de lucros e dividendos ao exterior e investimentos estrangeiros diretos) registrou saldo positivo (US$ 2,242 bilhões). O fluxo comercial (operações de câmbio relacionadas a exportações e importações) ficou negativo em US$ 1,027 bilhão. De janeiro a 22 de agosto, o fluxo cambial ficou positivo em US$ 3,570 bilhões. O saldo do fluxo financeiro ficou positivo em US$ 90 milhões e o comercial, em US$ 3,480 bilhões.
Parte do otimismo por parte dos investidores está no Índice de Preços ao Produtor (IPP), que mede a variação na saída das fábricas, com deflação (queda de preço) de 0,29% em julho. A queda é mais acentuada do que a observada no mês anterior, de 0,16%. Em julho de 2013, o IPP registrou inflação de 1,21%. Os dados foram divulgados nesta manhã, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. A deflação de julho foi a quinta consecutiva. O IPP acumula inflações de 0,61% no ano e 3,45% no período de 12 meses.
Dezessete das 23 atividades pesquisadas tiveram queda de preços no mês passado. Os alimentos caíram 1,18%, sendo os principais responsáveis pela deflação de 0,29% do IPP. Entre os produtos que contribuíram para a queda estão as tortas, os bagaços, farelos e resíduos das extrações dos óleos de soja comuns e refinados e do açúcar cristal. Além dos alimentos, as maiores deflações foram registradas nos segmentos de impressão (-2,15%), calçados e artigos de couro (-1,38%), madeira (-0,96%), têxtil (-0,87%), confecção de artigos de vestuário (-0,87%) e farmacêutico (-0,52%).
Apenas seis atividades tiveram alta: minerais não metálicos (0,55%), refino de petróleo e produtos de álcool (0,51%), móveis (0,41%), papel e celulose (0,28%), veículos automotores (0,22%) e bebidas (0,13%).
Influência negativa
O que o noticiário negativo sobre a economia do país tem produzido, em contraste com os níveis de investimento de longo prazo do capital estrangeiro, é a queda no Índice de Confiança da Indústria (ICI), medido pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV), que apresenta queda de 1,2% entre julho e agosto ao atingir 83,4 pontos. Foi o oitavo recuo seguido e o mais baixo nível de avaliação desde abril de 2009 (82,2 pontos). No entanto, a intensidade da queda diminuiu ante as três últimas pesquisas - com -3,2%, -3,9% e -5,1%.
A Sondagem da Indústria de Transformação indica pessimismo maior em relação ao momento presente. O Índice da Situação Atual (ISA) foi negativo em 3,6%, com 82,7 pontos, o menor nível desde março de 2009 (78,5). O Índice de Expectativas (IE) aumentou 1,4%, ao alcançar 84,1 pontos. O superintendente adjunto de Ciclos Econômicos da FGV, Aloisio Campelo Jr., adverte que os empresários ainda se mantêm cautelosos quanto aos negócios em médio prazo. “A ligeira melhora das expectativas é insuficiente para sinalizar uma efetiva inversão da tendência negativa observada no ano. As previsões tornaram-se mais favoráveis para a produção, com a normalização do número de dias úteis após o fim da Copa, mas, no horizonte de seis meses, o pessimismo continua aumentando”, destaca ele em nota.
O indicador de situação atual dos negócios mostra queda de 7,1% entre julho e agosto, com 78,8 pontos, o menor nível desde abril de 2009 (76,8). Para 8,1% dos consultados, a situação atual é boa ante 10,8% que tinham essa avaliação na apuração passada. Paralelamente, cresceu de 26% para 29,3% os que consideram o ambiente fraco para os negócios. A proporção de empresas com projeção de aumento da produção teve leve crescimento, ao passar de 27,6% para 27,8%. E a parcela que prevê queda diminuiu de 20,8% para 16,1%. Na sondagem sobre os que esperam melhora para os seis meses seguintes, o percentual teve elevação de 25,6% para 30%, mas também aumentou a parcela dos que apontam piora (de 20,2% para 26,5%).
A pesquisa mostra ainda que o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) ficou estável em 83,2%, mas esse é o menor patamar desde outubro de 2009 (82,6%). As consultas foram feitas em 1.176 empresas entre os últimos dias 4 e 22.
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