Rio de Janeiro, 04 de Outubro de 2026

Apesar do fraco desempenho, indústria volta a crescer em março

A indústria brasileira teve em fevereiro desempenho inferior ao esperado e os dados de janeiro foram revistos para baixo, evidenciando os efeitos da crise global no país, mostraram dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados nesta quarta-feira. Apesar dos dados ainda fracos, o IBGE avalia que o setor está começando a se recuperar. (Leia Mais)

Quarta, 01 de Abril de 2009 às 10:08, por: CdB

A indústria brasileira teve em fevereiro desempenho inferior ao esperado e os dados de janeiro foram revistos para baixo, evidenciando os efeitos da crise global no país, mostraram dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados nesta quarta-feira. Apesar dos dados ainda fracos, o IBGE avalia que o setor está começando a se recuperar. Em fevereiro, a produção industrial cresceu 1,8% ante janeiro e despencou 17% em relação ao mesmo mês do ano passado. Analistas ouvidos pela agência inglesa de notícias Reuters esperavam, respectivamente, alta de 2,7% e queda anual de 15,7%.

Os números de janeiro, que já haviam desapontado o mercado, foram revistos para baixo. Na comparacão com o mês anterior, a alta foi cortada de 2,3% na divulgação preliminar para 2,1%. O dado ano a ano passou de queda de 17,2% para recuo recorde de 17,4%. Com isso, a produção acumulou retração de 17,2% no primeiro bimestre. Mas Silvio Sales, economista do IBGE, ponderou que já há sinais positivos apesar de a indústria não ter conseguido voltar aos patamares pré-crise.

– Pode-se dizer que a indústria está saindo do fundo gradativamente, se considerar que o mês de dezembro foi o pior das estatísticas – afirmou.

Entre setembro e dezembro do ano passado, com o agravamento da turbulência internacional, a indústria acumulou perdas de 20,1%. Em 12 meses, a indústria acumula queda de 1 por cento, a primeira taxa negativa nesse tipo de comparação desde setembro de 2002.

– O mais importante é a gente acompanhar os próximos dados. A partir de março, a produção talvez possa mostrar uma recuperação mais forte – disse Marcela Prada, economista da Tendências Consultoria Integrada.

Em relatório, a LCA Consultores destacou ser "provável que parte da alta que não 'apareceu' nos números do primeiro bimestre possa surgir no número de março".

Pesquisa

Em relação a janeiro, dos 27 setores industriais pesquisados 16 tiveram aumento da produção, com destaque para Veículos automotores (+8,7%), que vem sendo ajudado pela redução do IPI.

"Esse setor acumulou alta de 52,2% nos dois primeiros meses de 2009, após as paralisações nos meses de novembro e dezembro", afirmou o IBGE.

Entre as categorias de uso, na comparação com janeiro a atividade de bens de consumo duráveis foi o destaque de alta (+10,5%). A produção de bens de consumo semi e não duráveis interrompeu quatro meses de queda e subiu 1,7%, e a de bens intermediários avançou 1,5%. Já a atividade de bens de capital caiu 6,3%.

Na comparação com fevereiro de 2008, 23 setores tiveram retração e todas as categorias de uso foram negativas.

Os destaques foram as quedas de Veículos automotores (-29,8%); Máquinas e equipamentos (-32,2%) e Metalurgia básica (-31,5%).

A atividade de bens de capital caiu 24,4%, acelerando a queda em relação aos dois meses anteriores. A produção de bens de consumo duráveis reduziu-se em 24,3%; a de bens intermediários teve contração de 21%, marcando o quinto mês negativo seguido; e a de bens de consumo semi e não duráveis declinou 3,3%.

"O índice de difusão, com queda em 77% dos 755 produtos investigados, também indica um menor dinamismo no setor industrial, ao registrar o menor nível da série histórica", acrescentou o IBGE.

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