Rio de Janeiro, 13 de Setembro de 2026

Apesar do faturamento milionário, diário conservador carioca demite jornalistas experientes

Terça, 11 de Março de 2014 às 10:37, por: CdB
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A jornalista Letícia Helena (E), em recente ocasião social
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio anunciou na sua página em uma rede social, na noite desta segunda-feira, que o diário conservador carioca O Globo demitiu 12 experientes profissionais da sua redação do Rio. Em contrapartida contratou 22 que, acredita-se, representam uma média salarial inferior ao grupo dispensado. O chamado "passaralho", expressão cunhada pelos repórteres para definir demissões coletivas, tem ocorrido sistematicamente nas empresas que preferem chamar "reestruturação". Embora a alegação seja a redução no número de vendas em banca e a concorrência da Internet, o fato é que a suposta crise financeira não atinge o Sistema Globo como propagada. Dentre os jornalistas demitidos estão os editores Orivaldo Perin (O Dia, Jornal do Brasil e O Globo), Cristina Alves, Regina Eleutério e Ricardo Mello e as editoras assistentes Nivia Carvalho e Letícia Helena, esta, com 28 anos de casa. Os outros nomes não foram divulgados. O mais grave do caso de Letícia, é que seu marido, Flávio Falcão, foi demitido há um mês da mesma empresa. Outros nomes são: Raquel Almeida, gerente de negócios digitais, Karine Karan, gerente de inteligência de mercado e Elisio Pereira, gerente de desenvolvimento. Consta também na lista Marcos Gomes, gerente de sistemas corporativos e Monica Lanat, gerente do jurídico. O grupo da família Marinho é detentor da maior parte da Receita Publicitária governamental onde 75% do volume é abiscoitado pelas empresas. E enquanto caminha na direção da redução das redações com demissões ou "reestruturação", a administração teme que mudanças na legislação permitam uma distribuição igualitária e equilibrada da receita. Alterações na lei que quer garantir pluralidade aos meios incluindo aí a mídia digital. Por outro lado, a redistribuição da verba publicitária para a diversidade de veículos será a garantia da preservação e ampliação da atividade do jornalistas. Só em 2012 foram demitidos 1.200 jornalistas em todo o país. – Trata-se de uma mão de obra altamente qualificada, mas que virou refém de um modelo empresarial baseado no enxugamento do quadro funcional, redução de salário e sua constante troca por profissionais menos experientes e com menor remuneração – disse Fabio Lau, editor do site Conexão Jornalismo. Há no Congresso projetos de lei que pretendem alterar o atual modelo de distribuição da verba oficial. – O grau de dependência do profissional nas redações é tão gritante que mesmo os jornalistas fazem coro com os empresários e repudiam o crescimento as mídias alternativas. Uma espécie de "Síndrome de Estocolmo" profissional – acrescenta. Para ele, a defesa do atual modelo, que vive uma descendente irreversível, é a proteção equivocada do emprego dos que ficam, mas o desprezo pela atividade dos grandes profissionais que saíram. A presidenta do Sindicato do Rio, Paula Máiran, disse sobre as demissões: – Acabo de saber que houve um traumático processo de demissão coletiva nesta segunda-feira n'O Globo. Entre os 12 demitidos, só gente pra lá de experiente, muitos queridos com quem muito pude aprender bastante ao longo dos últimos 22 anos de profissão. Houve 22 contratações. A esse processo a empresa chama de "reestruturação". Será que os 22 salários somados chegam ao total do que era a remuneração dos demitidos? Ou será mais um lance na lógica administrativo/ financeira do "mais por menos"? Fica minha solidariedade aos colegas demitidos e certamente que o nosso Sindicato Jornalistas Profissionais Rio vai cobrar esclarecimentos à direção sobre esse triste momento da história do Globo – afirmou
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