Rio de Janeiro, 08 de Novembro de 2026

Apesar do ataque, Israel pretende manter negociação de paz

Homem armado invadiu seminário em Jerusalém e matou 8, antes de ser morto.

Sexta, 07 de Março de 2008 às 06:07, por: CdB

O governo israelense afirmou que a morte de oito estudantes atacados por um palestino em um seminário judaico em Jerusalém, nesta última quinta-feira, não vai interromper as negociações de paz. Segundo informações do governo israelense, o atacante palestino foi morto depois de ter aberto fogo com um rifle AK-47 dentro da biblioteca no seminário de Mercaz Harav, no oeste de Jerusalém, onde estavam cerca de 80 pessoas.

Ele seria residente da área, conforme testemunhas.

O Ministério de Relações Exteriores de Israel afirmou que as negociaçoes com o líder palestino, Mahmoud Abbas, que condenou o ataque, vão continuar. No entanto, Israel condenou o grupo palestino rival, Hamas, que considerou o ataque uma reação natural às ações militares israelenses na Faixa de Gaza na semana passada, que deixaram mais de 120 palestinos mortos.

A polícia israelense entrou em estado de alerta, com medo de novos ataques e retaliações de grupos israeleses extremistas.

- Enviamos reforços a Jerusalém para garantir a segurança dos habitantes - disse o comandante da polícia da cidade, Aharon Franco, à rádio militar.

Como medida de segurança, homens palestinos, com menos de 45 anos foram proibidos de entrar Esplanada das Mesquitas de Jerusalém.

Pelo menos nove pessoas ficaram feridas no ataque. Segundo o canal de TV do grupo libanês Hezbollah, um grupo até então desconhecido, autodenominado Mártires de Imad Mughniyeh e Gaza, assumiu a autoria do ataque. Imad Mughniyeh era um líder do Hezbollah, morto em um ataque com carro-bomba em Damasco, na Síria, no dia 12 de fevereiro.

Aqueles que celebram esses assassinatos mostraram ser inimigos não apenas de Israel, mas da paz e da reconciliação, disse Mark Regev, porta-voz do primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert.

ONU

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, condenou o ataque. O Conselho de Segurança, porém, não conseguiu chegar a um acordo sobre uma declaração na noite de quina-feira. Representantes de diversos países, como a Líbia, queriam que o Conselho de Segurança casasse qualquer condenação das mortes em Jerusalém com uma condenação também contra Israel, por ter provocado a morte de um grande número de civis, incluindo crianças, em Gaza.

O enviado russo, Vitaly Churkin, questionou o quão grave um ataque terrorista deve ser para merecer uma condenação específica, sem entrar em toda a história do conflito entre israelenses e palestinos.

O ataque é considerado o pior ocorrido em Jerusalém nos últimos anos.

Segundo o editor de Oriente Médio da BBC, Jeremy Bowen, a escola religiosa pode ter sido escolhida como alvo por estar no centro do movimento que prega a manutenção dos assentamentos israelenses na Cisjordânia. Muitos dos estudantes no seminário estão em cursos especiais que combinam estudos religiosos com serviço em unidades de combate no Exército israelense, afirma Bowen. Segundo Bowen, haverá uma resposta israelense a este ataque, e a questão é o quão severa esta resposta será.

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