Rio de Janeiro, 09 de Setembro de 2026

Apesar de veto do governo, Light negocia dívida com credores

Quarta, 02 de Março de 2005 às 09:40, por: CdB

A Light, empresa responsável pela distribuição de energia no Rio de Janeiro, pretende levar em até 10 dias nova proposta de acordo aos bancos credores para adiar para 2006 o pagamento de juros de uma dívida de 660 milhões de dólares que estava previsto para ocorrer este ano.

O diretor Financeiro da companhia, Paulo Roberto Pinto, disse nesta quarta-feira que está confiante no novo acordo e na liberação de empréstimo do BNDES ainda no primeiro semestre, assim como a capitalização de 400 milhões de dólares pela sua controladora EDF.

BNDES diz que veto é fato novo

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social vai analisar os impactos que o veto da aplicação imediata do reajuste tarifário de 6,13% para a Light terá para a inclusão da empresa no programa de capitalização das distribuidoras de energia elétrica.

- O veto à aplicação antecipada do reajuste é, sem nenhuma dúvida, um fato que modifica todo o contexto. Havia uma previsão de receita e, agora, há outra, bem menor do que o esperado. O BNDES terá que analisar todo o processo novamente - avalia um técnico do banco. Ele também afirmou que não há uma decisão conclusiva do banco quanto às conseqüências para a operação de crédito à concessionária. Não há, ainda, um prazo definido para a análise do projeto no BNDES.

A antecipação do reajuste de 6,13% foi feito pela Agência Nancional de Energia Elétrica foi pedida ao Ministério da Fazenda em fevereiro, logo após o órgão regulador revisar a base de remuneração dos ativos da Light de R$ 3,5 bilhões para R$ 4,3 bilhões. O veto foi imposto pela Lei do Real, que veda reajustes tarifários de serviços públicos em menos de 12 meses. Sem o aumento imediato, o impacto na receita da empresa este ano pode chegar a R$ 300 milhões, valor que o BNDES vê como fonte de pagamento do empréstimo.

Analistas do mercado financeiro receberam mal a notícia do veto da Fazenda. Paulo Braga, analista da área de energia da Ecosecurities, acredita que o quadro atual da distribuidora no mercado financeiro tende a melhorar depois que a distribuidora de energia fechar um acordo com 17 bancos credores. No entanto, a renegociação ficou mais difícil com a suspensão do reajuste. A dívida total da empresa é de US$ 660 milhões e não pode prescindir do programa de capitalização do BNDES para a solucionar o passivo, observou Pereira.

Tags:
Edições digital e impressa