Rio de Janeiro, 15 de Outubro de 2026

Apesar de crise, BC reafirma combate à inflação

Segunda, 20 de Outubro de 2008 às 16:33, por: CdB

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, deixou claro nesta segunda-feira que o ciclo de aperto da taxa de juro deve continuar até que a inflação esteja sob controle. Para ele, a demanda doméstica tem força suficiente para manter a economia crescendo.

Durante evento em São Paulo, Meirelles argumentou que as medidas adotadas pelo BC nas últimas semanas, para tentar garantir o fluxo normal de recursos nos mercados de crédito no país, não devem ser entendidas como uma mudança no foco de atuação da autoridade monetária.

- Engana-se quem vê nas medidas adotadas pelo Banco Central uma mudança na sua estratégia de atuação - afirmou Meirelles, que completou: "Temos um compromisso é com o regime de metas de inflação. É importante que isso esteja bem claro para a sociedade."

O Comitê de Política Monetária (Copom) do BC se reúne na próxima semana para definir a meta da taxa básica de juro do país, a Selic. O Comitê iniciou em abril um ciclo de aperto monetário que elevou juro a 13,75% ao ano.

Analistas consultados pelo próprio BC esperam que a taxa encerre o ano em 14,50%, o que embute um aumento de 0,75 ponto percentual a ser definido ao longo das próximas duas reuniões do comitê em 2008, a primeira em outubro, e a última em dezembro.

- As decisões do Copom continuarão... a ser condicionadas pelas nossas projeções para a inflação e o balanço de riscos associados a essas projeções, e levarão em conta todos os desenvolvimentos recentes dos mercados - disse Meirelles.

Os aumentos consecutivos do juro promovidos pelo Copom até agora foram feitos com o intuito de levar a inflação de volta ao centro da meta já em 2009.

O governo definiu para 2008, 2009 e 2010 uma meta de inflação anual de 4,5%, com margem de variação de 2 pontos percentuais, para cima ou para baixo.

Em contrapartida, Meirelles afirmou que a demanda doméstica forte vai continuar sustentando o crescimento da economia, mesmo com os efeitos da crise internacional.

- A pujança da economia doméstica, alicerçada no mercado de trabalho, deve continuar sustentando a expansão do produto nos próximos meses, ainda que em ritmo mais modesto - afirmou.

Reservas internacionais

Meirelles também aproveitou para defender a política de acumulação de reservas internacionais praticada pela instituição nos últimos anos. Desde 2003, o estoque de reservas subiu de cerca de 15 bilhões de dólares para mais de 200 bilhões de dólares.

- Foi por ter acumulado um volume expressivo de reservas no período de bonança que agora dispomos de um vasto arsenal de recursos para prover a adequada liquidez do sistema - disse.

Segundo ele, por causa dessa política o país chegou hoje a uma condição em que, cada queda de 10 por cento do real frente ao dólar produz uma diminuição de 1,1 ponto percentual da dívida líquida em relação ao PIB.

- Isso faz com que, desta vez, as contas públicas sejam um fator estabilizador da crise - disse.

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