Por: Redação da Rede Brasil Atual
Publicado em 01/08/2011, 15:19
Última atualização às 15:19
TweetSão Paulo – O anúncio de acordo no Senado para aumentar o limite de endividamento dos Estados Unidos não encerra as preocupações da Casa Branca. Para evitar uma moratória, seria necessário garantir unanimidade entre os senadores, além de agilidade extra da Câmara de Representantes (equivalente à dos Deputados no Brasil), apesar da maioria de republicanos, que fazem oposição ao presidente Barack Obama.
Os termos discutidos atualmente são de US$ 2,1 trilhões, acompanhados de um corte de US$ 1 trilhão a US$ 2,4 trilhões nas despesas públicas nos próximos dez anos. Isso seria alcançado por meio de um plano especial, formatado por um comitê bipartidário que promete anunciar tudo antes do feriado de Ação de Graças (a mais importante festa de fim de ano no país).
Com isso, garante-se a preocupação de Obama com o contexto eleitoral: nenhuma nova elevação de limite seria necessária antes da disputa de 2012 pela sucessão presidencial. Mas cortes severos demais em gastos de seguridade social e saúde pública podem agravar a crise social pela qual passa o país, o que inclui empobrecimento da população. Com menos programas sociais, poderia haver menos movimentação da economia, atrasando a recuperação.
Confira abaixo os cenários possíveis.
Com acordo unânime, crise adiada
Caso o acordo no Senado realmente avance, o líder da maioria, o democrata Harry Reid, fará de tudo para ter apoio unânime. Se conseguir, a proposta aprovada seria logo remetida à Câmara dos Representantes.
O andamento padrão de uma matéria que chega à Câmara prevê no mínimo três dias para a aprovação. Mas se o acordo estiver bem amarrado, é possível que tudo seja agilizado. A expectativa é de uma aprovação poucas horas depois. Assim, o presidente precisaria apenas sancionar a medida, ainda a tempo de evitar a moratória.
O único motivo para preocupações passaria a ser a questão mais profunda e complexa: a forma de assegurar recursos para pagar a dívida crescente, diante dos déficits públicos também em alta. O tema certamente estará no debate eleitoral de 2012.
Com acordo mas sem unanimidade, moratóriaSe os governistas não tiverem tanto êxito, e a unanimidade não for alcançada no Senado, os Estados Unidos vão entrar em moratória. Basta que um parlamentar se oponha para exigir que a votação só ocorresse nas primeiras horas da madrugada de terça-feira.
Seria necessário alcançar 60 dos 100 senadores para seguir adiante, mas a votação só ocorreria na quarta-feira (3), tarde demais para evitar a moratória.
Só então o texto iria para a Câmara e, depois de ser aprovado, para sanção de Obama. E a imagem da administração do democrata teria uma marca negativa para todo o período eleitoral.
Sem acordo nenhum, moratóriaCaso não seja aprovado o aumento do limite de endividamento, há pelo menos quatro opções do Tesouro norte-americano.
A mais cogitada seria mesmo deixar de emitir parte dos 100 mil cheques mensais pagos pelo Tesouro. É praticamente certo que os títulos da dívida dos Estados Unidos serão honrados, porque os danos de uma eventual moratória na dívida externa seriam graves para a economia, combalida desde a crise financeira de 2008. Até a Grécia evitou a condição.
Aposentadorias e outros benefícios da seguridade social teriam de ser pagos na próxima quarta-feira, por isso são "favoritos" na bolsa de apostas dos cortes. Eles representam US$ 49 bilhões (R$ 76 bilhões). O detalhamento dos planos do Tesouro só seria divulgado depois de aprovado por Obama.
Uma segunda opção seria vender ativos, como reservas de ouro. Porém, assim como a moratória propriamente dita, isso significaria uma confissão de incapacidade de pagamento das dívidas perante o mercado financeiro. Haveria rebaixamento de classificação por agências que medem o risco de aplicações financeiras.
Em ambos os casos – calote ou venda de ativos – o resultado seria uma provável necessidade de aumento de taxas de juros. Além de representar um freio para a economia dos Estados Unidos, a medida também teria impacto sobre o restante do mundo. Considerados seguros e pagando remuneração maior a seus detentores, os títulos atrairiam um grande fluxo de capitais de outros países rumo aos mercados norte-americanos. No Brasil, por exemplo, isso causaria uma desvalorização rápida do real perante o dólar.
Outras opções para "driblar" a legislação e o Congresso chegaram a ser aventadas por economistas (recorrer à prerrogativa prevista na 14ª emenda da Constituição, de que a dívida pública do país "não deverá ser questionada" e aumentar o teto por decreto ou usar o Federal Reserve para tomar empréstimos e repassar recursos ao Tesouro).
Com informações da Reuters
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