Dívida total americana já se aproxima do valor do Produto Interno Bruto do país
Apesar do acordo para a elevação do teto da dívida americana, aprovado na noite de segunda-feira pela Câmara dos Deputados do país, os Estados Unidos ainda correm o risco de perder a classificação AAA para a sua dívida, considerada a mais segura para os investidores.
Com isso, o deixaria um clube restrito, no qual estão apenas 15 países.
As três principais agências de classificação de risco, Fitch, Moody’s e Standard & Poor’s, não comentaram a aprovação do acordo, mas já haviam declarado anteriormente que existe uma grande chance de rebaixarem a classificação da dívida americana num período de até seis meses.
A principal dúvida em relação ao acordo é se ele será suficiente para conter o crescente déficit público americano, que já ultrapassa os 10% do PIB.
A dívida total americana, de S$ 14,3 trilhões, equivale a quase uma vez o PIB do país. O acordo aprovado na segunda-feira autoriza a elevação da dívida em até US$ 2,4 trilhões em troca de cortes de gastos no mesmo valor.
Com um déficit público na dimensão do atual, o novo teto da dívida seria alcançado até o final do ano que vem.
Juros mais baixos
O 'clube' da dívida AAA'Alemanha
Austrália
Áustria
Canadá
Cingapura
Dinamarca
Estados Unidos
Finlândia
França
Grã-Bretanha
Holanda
Luxemburgo
Noruega
Suécia
Suíça
*Lista dos países com classificação AAA nas 3 principais agências de classificação (Standard & Poor's, Fitch e Moody's)
Caso as agências de classificação de risco avaliem que o governo americano não conseguirá conter o déficit, poderão rebaixar a classificação da dívida do país para um nível ainda considerado muito seguro, mas abaixo do nível mais seguro.
As classificações de risco avaliam a capacidade do país de honrar suas dívidas e servem como parâmetros para orientar os investidores. A classificação AAA significa um risco praticamente zero de a dívida não ser paga, portanto mais segura para os investidores.
Em teoria, os países com classificação da dívida mais alta têm mais facilidade de captar empréstimos no mercado internacional a juros mais baixos do que os países cujas dívidas são consideradas menos seguras.
Atualmente, apenas 15 países têm a classificação AAA nas três principais agências – Alemanha, Austrália, Áustria, Canadá, Cingapura, Dinamarca, Estados Unidos, Finlândia, França, Grã-Bretanha, Holanda, Luxemburgo, Noruega, Suécia e Suíça.
Além desses países, a lista AAA da Standard & Poor’s inclui também Liechtenstein e os territórios de Ilha de Man, Guernsey e Hong Kong, a Fitch inclui Bermuda e Nova Zelândia e a Moody’s, Ilha de Man e Nova Zelândia.
Sob risco
Japão perdeu classificação AAA de sua dívida entre o final dos anos 1990 e início dos 2000
A dívida brasileira é classificada pelas três principais agências nos níveis mais baixos entre os níveis com recomendação de investimento – BBB- pela Standard & Poor’s (no 10º entre os 22 níveis de classificação da agência), Baa2 pela Moody’s (9º entre 22 níveis) e BBB pela Fitch (9º entre 20 níveis).
Se os Estados Unidos perderem a classificação máxima de sua dívida, será a primeira vez na história, mas outras grandes economias já sofreram com o problema no passado.
O Japão, que tem a maior proporção mundial da dívida em relação ao PIB (mais de 200%), foi rebaixado pelas principais agências entre o final dos anos 1990 e o início dos anos 2000, quando a economia do país começou a patinar.
Atualmente, a Standard & Poor’s classifica a dívida japonesa como AA- (4º nível), a Fitch de AA- (4º nível) e a Moody’s de Aa2 (3º nível).
Segundo alguns analistas, França e Grã-Bretanha são os países que correm mais risco de ter suas dívidas rebaixadas pelas agências no médio prazo, por terem dívidas altas em relação aos seus PIBs, altos déficits públicos (5,6% do PIB no caso da França e 8,7% no da Grã-Bretanha) e economias com perspectivas de baixo crescimento.