Os esforços diplomáticos para reativar o processo de paz continuam de pé a três semanas das eleições palestinas, apesar da nova onda de violência na Faixa de Gaza, que, em uma semana, matou pelo menos 25 palestinos e israelenses.
Na próxima semana, chegará ao país para se reunir com o governo de Israel e com a Autoridade Nacional Palestina (ANP) o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, que propõe convocar para fevereiro uma conferência internacional pela paz na região.
As hostilidades foram retomadas neste domingo com ataques de represália da resistência palestina por causa de uma sangrenta operação do exército israelense no campo de refugiados de Khan Yunes, na Faixa de Gaza.
Os milicianos atacaram com três mísseis Al Qasam o povoado israelense de Sderot e um "kibutz" do deserto do Neguev, onde deixaram oito feridos.
O ataque foi registrado horas depois de concluída ontem à noite a operação na qual soldados israelenses mataram 11 palestinos, entre eles três civis desarmados, e feriram cerca de 50, incluídos sete crianças e jornalistas, segundo fontes locais.
Fontes palestinas informaram que as tropas destruíram 30 casas, o que deixou 200 pessoas sem teto, e cultivos em campos dos arredores de Khan Yunes.
As facções palestinas que participam dos ataques e que lançaram 76 bombas em menos de uma semana não foram identificadas, mas se acredita que pertencem a organizações que decidiram boicotar as eleições presidenciais em Faixa de Gaza, Cisjordânia e Jerusalém Oriental, no dia 9 de janeiro.
O candidato do movimento Al Fatah e favorito das eleições, Mahmoud Abbas (Abu Mazen), em viagem por países árabes, disse que a resistência armada é "um erro histórico que vai contra os interesses de seu povo devido à dura repressão israelense".
Abu Mazen, respaldado por EUA, União Européia (UE), e o primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, que aceitou em princípio negociar a criação de um Estado palestino ao lado de Israel, pediu às facções da resistência que deixem as armas e continuem como civis a "Intifada", que já dura mais de quatro anos.
Na sua opinião, isso facilitará a retomada do processo de paz e a concretização de um Estado independente, o principal objetivo do povo palestino, há mais de 37 anos sob a ocupação militar israelense em Cisjordânia e Faixa de Gaza.
A Resistência Islâmica (Hamas), a Jihad Islâmica e a esquerda palestina não atenderam ao pedido de Abu Mazen e, além de não participarem das eleições presidenciais, prometem continuar a batalha até que Israel encerre a ocupação.
Abu Mazen, possível sucessor de Yasser Arafat na presidência da ANP, será um dos interlocutores de Blair, e do ministro de Assuntos Exteriores da Itália, Gianfranco Fini, que também chegará nos próximos dias para impulsionar o estagnado processo de paz inspirado no "Mapa de caminho", do Quarteto de Madri (EUA, UE, ONU e Rússia).
Com o mesmo objetivo de Blair e Fini, estiveram na região o secretário americano de Estado, Colin Powell; o Alto Representante de Política Externa da UE, Javier Solana; o ministro de Assuntos Exteriores da Espanha, Miguel Angel Moratinos, e o titular da diplomacia alemã, Joschka Fischer.
O governo de Sharon ordenou às autoridades militares que respondessem às "provocações dos terroristas palestinos com contenção" para não prejudicar os preparativos para as eleições de janeiro.
Na próxima semana se reunirão representantes do governo de Sharon com o ministro para as Negociações de paz da ANP, Saeb Erekat, para coordenar as medidas que o exército israelense adotará para facilitar o movimento da população no dia das eleições.
Os confrontos na Faixa de Gaza se intensificaram há uma semana pela explosão de uma tonelada e meia de dinamite em um túnel subterrâneo escavado por palestinos até uma base militar, o que matou cinco soldados.