Rio de Janeiro, 06 de Setembro de 2026

Apesar da crise, indústria de armamentos vende como nunca

Quinta, 03 de Junho de 2010 às 08:56, por: CdB

Todos os anos, o Instituto Internacional de Estocolmo para Pesquisa sobre a Paz (Sipri, do inglês), divulga um relatório sobre as despesas militares no mundo inteiro. Se alguém pensava que a crise financeira conteria o entusiasmo de causar mortes e destruição, estava enganado. Os gastos com finalidades armamentistas aumentaram substancialmente. O relatório do Sipri divulgado nesta quinta-feira aponta que as despesas militares mundiais atingiram US$ 1,5 trilhão em 2009, o que significa o aumento de 5,9% em relação ao ano anterior.

A crise pode até ter sido uma das razões desse crescimento. Sam Perlo-Freeman, coordenador do projeto sobre gastos militares no Sipri, explicou que os gastos públicos em grande parte dos países foram elevados no ano passado, a fim de incentivar a demanda e combater a recessão.

– Embora as despesas militares não constituam uma grande parcela dos pacotes de incentivo econômico, até agora as despesas públicas não sofreram cortes – declarou.

EUA lideram

Novamente, os EUA encabeçam a lista dos que mais gastaram com defesa. O dispêndio norte-americano com finalidades militares perfaz 53% dos gastos mundiais, o que representa um aumento de US$ 47 bilhões no ano. Perlo-Freeman considera bastante improvável que a estratégia norte-americana de domínio absoluto venha a mudar algum dia, nem mesmo sob o presidente Barack Obama. Nos EUA, a defesa é encarada como um seguro "contra qualquer eventualidade", explica o especialista do Sipri.

Mas os EUA não estão sozinhos. Exceto alguns pequenos países do Leste Europeu, quase todas as regiões do mundo fizeram mais investimentos militares em 2009. Países com recursos naturais significativos elevaram drasticamente os gastos para essa finalidade. A Argélia e a Nigéria duplicaram seus gastos; o Cazaquistão aumentou em 360%, o Azerbaijão, em quase 500%, e a República do Congo, em 663%.

Desarmamento nuclear

A cada ano, o Sipri pergunta diretamente aos governos os números sobre despesas militares. Mas o instituto sueco também estuda os orçamentos nacionais e consulta especialistas autônomos, pois os gastos com armamentos geralmente são sigilosos e muitos projetos se estendem por muitos anos. Quanto à meta de redução das 8 mil ogivas nucleares existentes no mundo, o Sipri reconhece certo progresso, sobretudo graças ao empenho do presidente dos EUA, Barack Obama, em acertar um tratado mundial de desarmamento e não-proliferação nuclear. No entanto, o crescente isolamento da Coreia do Norte e o criticado programa atômico do Irã são motivos de pessimismo nesse sentido.

Em 2009, o Produto Interno Bruto (PIB) mundial caiu 0,9%, mas as despesas militares não param de crescer. Alguns países, inclusive a Grécia, anunciaram cortes em seus orçamentos militares para o ano corrente ou para o próximo.

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