Rio de Janeiro, 13 de Setembro de 2026

Aperto monetário vai continuar, preveem analistas ouvidos no Banco Central

Segunda, 24 de Março de 2014 às 09:50, por: CdB
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Por mais uma vez, as pressões exercidas pelos interesses dos representantes do financismo foram exitosas em sua campanha incansável pela elevação dos juros
Economistas de instituições financeiras passaram a ver maior aperto monetário neste ano mas ao mesmo tempo elevaram pela terceira semana seguida a perspectiva para a inflação em 2014, deixando-a ainda mais perto do teto da meta do governo. A pesquisa Focus do Banco Central divulgada nesta segunda-feira mostrou que os economistas passaram a ver a Selic a 11,25% no final de 2014, ante 11,00% na semana anterior. Eles mantiveram a perspectiva de nova elevação de 0,25 ponto percentual na reunião de abril do Comitê de Política Monetária (Copom), a 11,00%, e voltaram a ver outra alta na mesma magnitude em dezembro. Desde abril passado, o BC já elevou a Selic em 3,5 pontos percentuais, para o atual patamar de 10,75%, a fim de combater a inflação. Recentes sinais de pressão sobre os preços já haviam levado a curva de juros futuros a precificar mais dois aumentos de 0,25 ponto percentual, em abril e maio. Já o Top 5 de médio prazo, com as instituições que mais acertam as projeções nesse período, vê aperto monetário maior. A mediana das projeções é de Selic a 11,75% no final de 2014, inalterado ante a semana anterior. Projeção Apesar da expectativa de Selic maior, os economistas passaram a ver um cenário de inflação ainda mais alta. A mediana das projeções aponta agora o IPCA a 6,28% no final de 2014, ante 6,11% na pesquisa anterior. Para 2015, a perspectiva subiu a 5,80%, 0,10 ponto percentual a mais. Já a perspectiva para a inflação nos próximos 12 meses foi elevada em 0,08 ponto percentual, a 6,20%. A meta de inflação é de 4,5%, com margem de 2 pontos percentuais para mais ou menos. Em março, o IPCA-15 avançou 0,73% sobre o mês anterior, pressionado pelos preços de alimentos e passagens aéreas, acumulando em 12 meses alta de 5,90%. Em relação à expansão da economia, as estimativas para 2014 e 2015 foram mantidas em 1,70% e 2,00%, respectivamente. Números reais Na vida real, o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) subiu com menos intensidade, na terceira prévia de março, com variação de 0,83% ante 0,84%. O levantamento feito em sete capitais pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV) mostra, no entanto, que embora tenha apresentado decréscimo, o grupo alimentação continua pressionando o orçamento doméstico e manteve-se com a maior taxa entre os oito grupos pesquisados ao atingir 1,58% ante 1,59%. Entre os itens alimentícios mais caros estão o tomate com alta de 44,43% ante 42,56%; a batata inglesa que subiu de 27,40% para 36,69% e a alface encontrada a preços até 19,49% maiores ante 20,40%. Esses ingredientes provocaram uma elevação de 0,94% ante 0,86% nas refeições servidas em bares e restaurantes. Em compensação, caiu o ritmo de alta das frutas cotadas na média em 1,84% ante 4,21%. A maçã, por exemplo, teve queda de 4,86% ante um recuo de 2,12%. O resultado geral do IPC-S reflete decréscimos em cinco grupos com destaque para transportes (de 0,90% para 0,78%) que foi influenciado pela tarifa de ônibus urbano (de 1,45% para 0,95%). Em habitação, a taxa passou de 0,65% para 0,63%; em despesas diversas, de 0,39% para 0,33% e, em comunicação, de 0,26% para 0,13%. No grupo vestuário foi mantida a estabilidade com variação de 0,36% . Já nos demais grupos restantes ocorreram acréscimos: educação, leitura e recreação (de 0,35% para 0,63%) e , em saúde e cuidados pessoais (de 0,46% para 0,50% ).
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