Rio de Janeiro, 05 de Maio de 2026

Apenas "acidente" faz preço agrícola afetar inflação

Com a chegada da entressafra de grãos no Brasil, é possível que haja pressão de alta sobre preços agrícolas, embora isso só deva afetar a inflação em caso de um problema climático grande o suficiente para reduzir muito a oferta em 2006, disseram especialistas. (Leia Mais)

Terça, 11 de Outubro de 2005 às 10:24, por: CdB

Com a chegada da entressafra dos principais grãos no Brasil, é possível que haja uma pressão de alta sobre preços agrícolas, embora isso só deva afetar realmente a inflação em caso de um problema climático grande o suficiente para reduzir significativamente a oferta em 2005/06, disseram especialistas no setor.

- Os três últimos meses do ano e os primeiros meses de 2006 se caracterizam pela menor oferta de grãos... Acredito em alguma pressão... Mas não há espaço para uma alta acentuada de preços agrícolas, exceto em caso de um acidente climático que resulte em escassez de soja, milho e trigo no mercado doméstico. Não é um tédio em termos de acompanhamento, mas diria que os preços têm um horizonte relativamente comportado - afirmou o sócio-diretor da MS Consult Fábio Silveira, salientando que o mercado trabalha com inflação em 2006 entre 4,4% e 4,6% para este ano, a previsão é de 5,22%.

Economistas apontam os preços mais baixos das commodities agrícolas internacionais --com exceção do açúcar e do suco de laranja--, a desvalorização do dólar, que reduz as receitas do produtor e dificulta exportações, e os custos financeiros elevados da atividade, que impedem por exemplo a retenção de estoques, como os principais limitadores de altas nas cotações agrícolas no país.

- Nesse contexto, tem o exemplo do milho, cuja produção não vai será suficiente para o consumo, mas o preço está mais baixo agora do que na safra, mas não tem como reagir a não ser que haja um choque de oferta. Quando sinalizar como será a oferta do novo ano agrícola (2005/06), a tendência pode mudar. Quando caracterizar essa oferta, e ela vai ser menor, mesmo com São Pedro ajudando, aí vai começar a definir a expectativa de preços para o futuro, começando a influenciar o presente - acrescentou o professor Nelson Batista Martin, do Instituto de Economia Agrícola (IEA).

O coordenador da pesquisa do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) em São Paulo, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), Paulo Picchetti, é cauteloso ao comentar a possibilidade de a inflação ser afetada pelos preços agrícolas.

- No ano passado, o pessoal também dizia que a produção não seria tão boa e que, com o problema de clima no início do ano (2005), isso se traduziria em queda de oferta suficientemente grande para se ter pressão sobre os preços. Mas vimos exatamente o contrário - lembrou.

Para 2006, Picchetti admitiu que uma suposta queda na oferta poderia atingir os preços, mas ressaltou que a pressão não seria "nem tão certa, nem tão grande como levam a crer as declarações de integrantes do setor agrícola."

Silveira afirmou ainda que os preços do atacado poderiam ser atingidos com maior força no caso de alguma pressão altista. E no varejo, segundo ele, "isso não deve ser representativo a ponto de fazer as taxas mensais de inflação saltarem aos olhos, com índices de 0,40%, 0,50%".

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