Li e recomendo o artigo de Ligia Bahia, doutora em saúde pública e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, considerada uma das maiores especialistas no Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil, e de Mario Scheffer, doutor em ciências e pesquisador da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, hoje, na Folha de São Paulo.
O título é adequado: “Paulada no SUS”. Os dois autores denunciam a regulamentação da lei paulista que permite ao Estado de São Paulo vender para planos de saúde de 25% da capacidade dos hospitais públicos geridos por Organizações Sociais. A medida, para eles, equivale a abrir “as torneiras que irrigam empresas privadas com o dinheiro público”.
“Para justificar o ardil”, informa o texto, “a Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo identificou que 18% dos pacientes atendidos em hospitais públicos têm planos privados”. Por que será? O mesmo artigo dá uma dica adiante: uma em cada cinco pessoas com câncer, vinculada a planos de saúde, é “jogada ao mar” e busca socorro no SUS. Também os planos estariam empurrando para as contas do SUS idosos e doentes – que não têm condição de arcar com o aumento das mensalidade decorrentes do passar da idade ou cujo ou têm vetados os tratamentos mais caros.
Lógica escandalosa
A lógica escandalosa por trás do jogo entre planos de saúde e hospitais públicos esconde outra verdade. Segundo o artigo, há um negócio bilionário em ascensão, de planos populares, de mensalidade inferior a R$ 100, que só é viável com o uso da capacidade instalada do SUS.
Para os especialistas, o que está em jogo é a expansão da “fila dupla”. O artigo conclui classificando a medida do governo paulista tucano como a criação de um “verdadeiro apartheid” entre os que têm plano de saúde e o restante a população.
Apartheid nos hospitais públicos paulistas
Sexta, 22 de Julho de 2011 às 06:27, por: CdB