A Santa Casa de Belo Horizonte, que na noite de sexta-feira quase perdeu dez sofisticados aparelhos por falta de pagamento à empresa fornecedora Siemens, deve enfrentar um outro problema nesta segunda. Embora a Justiça mineira tenha impedido a saída dos aparelhos, alguns dos equipamentos chegaram a ser desmontados.
Em função disso, 15 consultas de mamografia foram canceladas neste sábado. Outras 30, marcadas para esta segunda, também não serão realizadas. A maioria desses pacientes é atendida pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
De acordo com o diretor-geral da Santa Casa, Antônio Caran Filho, os equipamentos são tecnologicamente sofisticados e os seus técnicos não têm como colocá-los em funcionamento. A Siemens tem até terça-feira para fazê-los operar, determinou a Justiça.
A Santa Casa deve R$ 3,4 milhões pelos aparelhos do seu Centro de Diagnóstico e do bloco cirúrgico, adquiridos há seis anos da Siemens. A carta precatória de busca e apreensão dos equipamentos, concedida pelo juiz da 2ª Vara Cível do Rio de Janeiro, Sérgio Wajzenberg, determinou que o mandado de busca e apreensão do material fosse cumprido mesmo mediante arrombamento, requisição de força policial e remoção de qualquer obstáculo que impedisse a diligência.
Depois de mais de quatro horas de tumulto, com os médicos da Santa Casa fazendo barreiras humanas para impedir a saída do material, foi preciso a interferência da Polícia Militar para que o ordem judicial fosse cumprida.
Os funcionários da Santa Casa chegaram a bloquear o fornecimento de energia elétrica em alguns setores na tentativa na tentativa de esconder o material em questão, como aconteceu no bloco cirúrgico. A confusão, que começou por volta de 18 horas, só terminou aos 25 minutos da madrugada seguinte.
O presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte, vereador Betinho Duarte, fechou os portões de acesso à Santa Casa, com correntes e cadeados, para não deixar que o caminhão-baú da Siemens saísse.
Na madrugada deste sábado, o juiz de plantão no Fórum Lafayette, Newton Teixeira Carvalho, revogou o cumprimento de ordem de busca e apreensão, atendendo requerimento do promotor Rodrigo Filgueira de Oliveira. O representante do Ministério Público de Minas entendeu que a retirada dos aparelhos hospitalares causaria danos à saúde pública, uma vez que inúmeras consultas estavam marcadas, a maioria pelo SUS, com cirurgias de emergência.
Além da recolocação dos aparelhos no lugar, o juiz determinou a reinstalação. As cirurgias marcadas para este sábado aconteceram normalmente porque o arco cirúrgico não chegou a ser desmontado e os exames necessários feitos com antecedência.
— Já o aparelho de mamografia está parado. Estava parafusado no chão e eles arrancaram com a placa e tudo — mostrou o encarregado de segurança da Santa Casa, Cristiano de Almeida.