Rio de Janeiro, 30 de Setembro de 2026

Aos parlamentares britânicos, Murdoch e o filho pedem desculpas por grampos ilegais

Rupert Murdoch e seu filho James foram ao Parlamento inglês, nesta terça-feira, pedir desculpas pelo escândalo de grampos telefônicos que abalou seu império de mídia.

Terça, 19 de Julho de 2011 às 09:27, por: CdB
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Rupert Murdoch e seu filho James foram ao Parlamento inglês, nesta terça-feira, pedir desculpas pelo escândalo de grampos telefônicos que abalou seu império de mídia. Dono do News Corp., Murdoch disse que "esse é o dia mais humilhante da minha vida", durante depoimento dele e do filho perante o comitê parlamentar de Cultura, Mídia e Esportes, que está investigando o suposto envolvimento deles nos grampos telefônicos cometidos pelo jornal do grupo News of the World. James Murdoch, presidente-executivo da filial britânica da empresa, pediu desculpas pelos erros do tablóide, agora extinto. – Antes de tudo eu gostaria de dizer que sinto muito, e que nós sentimos muito, particularmente pelas vítimas de interceptações ilegais de mensagens de voz e suas famílias. É uma questão de grande arrependimento, para mim, meu pai, e todos da News Corporation. Sinto muito pelas vítimas das escutas ilegais e suas famílias. É motivo de grande arrependimento meu e do meu pai e da News Corporation. Isto não corresponde aos valores de nossa empresa. É nossa convicção investigar a fundo – disse James Murdoch. Ele negou ainda saber sobre as escutas e as denúncias de que funcionários do conglomerado de seu pai usavam sistematicamente as escutas em telefones de policiais, celebridades e até funcionários da família real para obter informações exclusivas. James afirmou, ainda, que soube da extensão do escândalo apenas no fim de 2010, quando obteve evidências documentadas da prática. O escândalo começou em 2006, quando a polícia abriu uma primeira investigação sobre grampos contra funcionários da família real. O editor de assuntos reais do tabloide Clive Goodman e o detetive particular Glenn Mulcaire foram condenados a quatro e seis meses de prisão respectivamente, mas a polícia determinou que era um caso isolado. Na época, os executivos do "News of the World" disseram ao comitê que não havia evidência de que ninguém além de Goodman usava grampos ilegais. James disse que a empresa confiou na investigação da polícia, que fechou o caso, e as repetidas alegações de que não havia nova evidência. – Foi motivo de profunda frustração para mim e divido a frustração deste Parlamento de que estes fatos não foram conhecidos por mim antes. Se eu soubesse na época o que eu sei agora, tomaríamos mais ações e acharíamos a raiz disso – disse James. Perguntado se a empresa investigou as denúncias, James disse que eles colaboraram com a polícia de todas as formas possíveis. Murdoch também negou saber da prática das escutas e dos depoimentos de seu ex-braço direito, Rebekah Brooks, ao mesmo comitê em 2006. Questionado sobre quem mentiu a ele, já que a prática era aparentemente comum em seu tabloide, ele disse: "não sei": – É isso que a polícia está investigando. Murdoch disse ainda que tem mais de 3 mil pessoas trabalhando para ele em todo o mundo e que confia nelas para fazer seu melhor trabalho. – Os responsáveis são as pessoas em que confiei para que dirigissem o jornal – disse Murdoch, questionado se era o responsável pelo "fiasco" dos grampos. James reiterou o argumento do pai e disse que, em uma empresa global como o império News Corporation, é comum que decisões sejam tomadas por executivos-chefes sem passar por Murdoch. Já questionado se sabe de outros métodos de investigação utilizados por seus jornais, Murdoch disse qie "todos os jornais usam investigadores" e que ele não acha que seus jornalistas fizeram ilegalmente. O legislador Tom Watson questionou ainda Murdoch sobre uma investigação civil envolvendo Neville Thurlbeck, ex-chefe de Redação do News of the World e suspeita de chantagem, dentro do escândalo de escutas ilegais. "Nunca ouvi falar" de Thurlbeck, disse Murdoch, que, aos 80 anos, aparenta certa dificuldade de responder às perguntas. Já no caso Milly Dowler, menina assassinada que teve suas mensagens de voz apagadas por um detetive, Murdoch disse que soube apenas há duas semanas. – Eu fiquei absolutamente chocado e envergonhado pelo caso Milly Dowler (...) Oito dias depois eu fui graciosamente recebido pelos Dowlers – disse Murdoch. Um dos legisladores brincou com Murdoch, dizendo que seus executivos sofrem de "amnésia coletiva". Sem resposta, Murdoch apenas riu. Diante de novas perguntas sobre as denúncias de escutas ilegais, James saiu em defesa do pai e pediu para responder as questões. – Na qualidade de presidente-executivo do braço europeu da News Corporation, tenho maior proximidade com estas questões – disse. Os legisladores questionaram ainda porque a empresa não demitiu os envolvidos no escândalo. – Muitos dos indivíduos envolvidos deixaram a empresa faz tempo – defendeu-se James. Evidências Murdoch foi questionado ainda se, caso encontrasse evidências de novas práticas ilegais em sua empresa, permitiria nova investigação. Ele disse apenas que caberia à polícia fazer uma nova investigação. Questionado sobre as investigações do Federal Bureau of Investigation (FBI, a Polícia Federal norte-americana) sobre possíveis grampos em vítimas dos atentados de 11 de Setembro, Murdoch disse que não há nenhuma evidência até o momento e que, se houver, agirá da mesma forma que agiu no Reino Unido. O barão da mídia disse ainda que não sabia do acordo de 700 mil libras de sua empresa com Gordon Taylor, ex-chefe-executivo da Associação Profissional de Jogadores de Futebol. Taylor foi uma das vítimas dos grampos ilegais e teria assinado o acordo em troca de não fazer declarações públicas sobre o caso. James afirmou que o acordo estava abaixo na "pirâmide de aprovação" que determina o que deve ser aprovado pelo próprio Murdoch. O filho do magnata explicou ainda que executivos como Rebekah Brooks tem orçamentos próprios e, desde que permaneçam dentro dele, podem fazer qualquer tipo de pagamento. Ele disse ainda não saber o quanto a empresa já pagou em acordos judiciais e que é uma prática comum da News Corporation chegar a acordos judiciais para evitar julgamentos. O bilionário australiano disse ainda que não houve razões financeiras para fechar o tabloide News of the World, que a duas semanas teve sua última edição com uma capa "Obrigado e Adeus". – Nós o fechamos porque estávamos envergonhados – disse Murdoch, sobre o jornal que circulou por 168 anos e era um dos mais lidos no país. Questionados sobre planos para lançar um novo tabloide aos domingos, ambos negaram. – Nós deixaremos as opções abertas. Esta não é a prioridade da empresa agora. A direção do meu pai e a minha direção é que não é o momento de seu preocupar com isso – disse James, reiterando que a prioridade é lidar com as denúncias. Práticas ilegais O magnata Rupert Murdoch e seu filho James foram ouvidos nesta terça-feira no Comitê de Cultura, Mídia e Esportes da Câmara dos Comuns a respeito dos escândalos de escutas telefônicas ilegais. Após os depoimentos foi convidada a falar a ex-presidente-executiva do braço britânico do grupo, Rebekah Brooks, que deixou o cargo sob pressão por seu suposto envolvimento com o escândalo de grampos telefônicos e compra de informações de policiais. Ela era a editora do News of the World à época dos grampos. Brooks foi presa no domingo e solta sob fiança após 12 horas sob custódia.
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