Rio de Janeiro, 10 de Setembro de 2026

ANP vai retomar aplicação da pena de morte

Domingo, 07 de Março de 2004 às 07:59, por: CdB

A Autoridade Nacional Palestina (ANP), presidida por Yasser Arafat, resolveu retomar, após três anos, a imposição da pena de morte a colaboradores de Israel e a criminosos. A informação está na edição deste domingo do jornal The Jerusalem Post.

Funcionários da ANP comunicaram que a decisão tem por objeto combater o caos e a anarquia em cidades palestinas onde os órgãos de segurança se mostram impotentes contra a criminalidade.

Conforme o jornal, Yasser Arafat mandou os tribunais e as forças de segurança palestinas aplicarem a pena de morte a dez palestinos condenados nos últimos três anos, que, devido à pressão da comunidade internacional e de organizações de direitos humanos, tiveram a sentença suspensa.

Além disso, diz o jornal, Arafat ordenou os Serviços Secretos da ANP na Cisjordânia, sob o comando de seu sobrinho, Musa Arafat, a apreender as armas das guarda-costas do general Naser Yusuf, ex-ministro do Interior da ANP, com quem tem desavenças.

Arafat jogou um microfone em Yusuf, que agora está fora do país, durante um debate no Conselho Revolucionário do Al Fatah, reunido na semana passada em Ramala. Além disso, o presidente da ANP acusou o desafeto de ser um "espião de Israel e dos Estados Unidos".

O primeiro-ministro da ANP, Ahmed Qurea (Abu Alá), atribuiu a anarquia e o caos à ocupação militar israelense nas cidades palestinas, "mas também a nossos organismos de segurança" por não impedirem a criminalidade, que em um caso, o do governador de Nablus na Cisjordânia, Ghasan Shaka, culminou com o assassinato de um irmão seu e com sua renúncia.

Na sexta-feira passada, depois das rezas nas mesquitas, milhares de palestinos se manifestaram em frente à prisão central de Gaza contra quatro taxistas, acusados de estuprar e assassinar uma menor de 15 anos.

As forças policiais feriram dois manifestantes, que chegaram até a prisão vindo das mesquitas e que atacaram o local com garrafas e pedradas antes de serem repelidos pela polícia palestina com suas armas de fogo.

A maioria dos manifestantes eram habitantes do campo de refugiados de Shati, onde vivia a vítima, Mayadah Abu Lamdi. A multidão exigia que os suspeitos fossem pendurados ou executados sumariamente.

Os manifestantes também atacaram a ANP e seus organismos de segurança por não tomarem medidas contra os grupos armados e os criminosos que operam em Gaza. No entanto, todos se retiraram ao receberem das autoridades a promessa de que os supostos estupradores e assassinos da adolescente seriam julgados "dentro das próximas 24 horas".

O presidente do Conselho Judicial Superior, Raji Sourani, informou que os taxistas detidos serão julgados por um tribunal criminal especial, cujos juízes serão designados amanhã. Outras fontes palestinas diziam hoje em Gaza que a decisão de impor a pena de morte aos dez presos já condenados e eventualmente aos assassinos da vítima do campo de Shati ainda não foi tomada.

Sourani, acrescenta o jornal de Jerusalém, afirmou que os taxistas faziam parte de um grupo perigoso que perpetrou vários assassinatos, estupros e roubos à mão armada em Gaza.

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