Rio de Janeiro, 08 de Setembro de 2026

ANP questiona autenticidade de carta contra Afafat

Domingo, 08 de Fevereiro de 2004 às 07:05, por: CdB

A ameaça de 340 afiliados do Al Fatah de abandonar esse movimento, presidido por Yasser Arafat, semeou dúvidas neste domingo sobre sua autenticidade em meios da Autoridade Nacional Palestina (ANP).

"Isto parece algo fabricado", declarou esta manhã o ministro palestino sem carteira Kadura Fares à rádio pública israelense ao referir-se a uma carta que os dissidentes dirigiram no sábado a Arafat e aos membros do Comitê Central de Al Fatah, a principal das organizações do nacionalismo palestino.

Fares disse que "se trata de filiados desconhecidos. Não encontramos nem dez que conheçamos" entre os assinantes que protestam "contra a trágica situação em que se acha o Partido, que não soube fazer as reformas necessárias".

"Acho que estas críticas deveriam ser feitas dentro dos marcos institucionais do Al Fatah", estimou Fares ao condenar o documento e propôs "designar um comitê que se encarregue de convocar uma assembléia para debater todos os assuntos".

Um conhecido dirigente do Al Fatah, Abas Zaki, declarou hoje que entre os assinantes "há mortos" e que "nem todos são filiados".

Em meios palestinos se acha que por trás desta carta-protesto, estaria o coronel Mohamed Dahlán, até há uns meses o braço direito do ex-premier palestino Mahmud Abas (Abu Mazen), que renunciou no ano passado em aberta disputa com Arafat pelo controle dos organismos de segurança do Governo, entre outras.

Segundo o protesto dos afiliados, a corrupção "salpica os líderes" de Al Fatah, cujos veteranos membros, próximos de Arafat, impediriam uma convocação de eleições internas.

Os dissidentes acusam um dos membros do Comitê Central, Hani al Hassan, íntimo de Arafat, de "ter levado o Al Fatah ao desastre, às divisões entre dirigentes urbanos e rurais, e à catástrofe".

Por último, os assinantes sustentam que a liderança do Al Fatah não enfrentou "aqueles que danificaram os interesses nacionais do povo palestino e que são tão poderosos".

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