Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Ano político pode ser definido a partir da relação entre Dilma e Cunha

O primeiro grande fato político brasileiro ainda está para ser definido. Em pauta, a convivência entre a presidente Dilma Rousseff e Eduardo Cunha.

Quarta, 18 de Fevereiro de 2015 às 12:17, por: CdB
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Dilma Rousseff recebeu conselhos para se aproximar de Cunha
O primeiro grande fato político brasileiro ainda está para ser definido. Como será, afinal, a convivência entre a presidente Dilma Rousseff e o presidente da Câmara, Eduardo Cunha? É de domínio público que os dois nunca se deram muito bem. Nas primeiras medições de força, na fase pré-Carnaval, Cunha e seu rolo compressor aprovaram todas matérias que lhes interessavam. E ficou claro que, ao  trombar de frente com o piloto e sua máquina, o Palácio do Planalto estará sempre em desvantagem. Em nome da governabilidade, Dilma recebeu conselhos, inclusive do ex-presidente Lula, de buscar uma aproximação com Cunha. E foi o próprio Cunha quem fez um primeiro gesto, ainda que tímido, nessa direção, ao declarar que o PT deve, sim, ter uma cadeira na CPI da Petrobras a ser instalada. Entende-se, agora, que a bola desse jogo está no campo de Dilma. Em tese, caso assuma uma posição subserviente, o Planalto estará de bem com a Câmara. Mas é claro que, nessa posição, não haveria acordo. Ocorreria uma simples capitulação. Dilma, ex-guerrilheira de fibra, como se sabe, não é política de capitular. Ela terá de mostrar, agora, seu melhor lado de negociadora. Em meio a dificuldades na economia e risco de racionamento energético, a posição da presidente não é das mais fáceis. O próprio Cunha, no entanto, sabe que não deve radicalizar contra o Palácio do Planalto, sob o risco de criar uma crise que, a depender do elemento povo na rua, pode resultar numa desestabilização de graves consequências. Dentro desse espaço de responsabilidade institucional está a margem de entendimento entre Dilma e Cunha. A presidente já sabe que terá de abrir mão de grande parte da agenda que planejara para seu governo, enquanto Cunha deverá entender que o regime de governo ainda é o presidencialismo – e não o parlamentarismo, ainda que todos tenham entendido que este será um ano de parlamento extremamente forte. Começar por um frente a frente para aparar o que for possível de divergências pode ser um primeiro gesto positivo. Depende, neste momento, mais de Dilma do que de Cunha.
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