O ano letivo de 2004 pode começar com uma nova greve dos professores no Mato Grosso. O alerta foi feito neste sábado pelo presidente do Sintep, Júlio César Viana, em entrevista exclusiva ao MídiaNews. "Esta possibilidade não está descartada. Se o governo não der uma reposição de no mínimo 19,58%,
Correspondente às perdas dos últimos 12 meses e mantiver a proposta de atribuição de aulas ou classes sem a presença do sindicato, não teremos outra alternativa", admitiu o sindicalista.
- A greve de advertência que acontece na próxima semana é uma resposta dos professores ao tratamento insatisfatório que o governo vem dando às questões educacionais. Nesse sentido, não podemos afirmar de que a educação seja realmente uma prioridade deste governo - disse Viana.
Apesar da determinação de parar toda a rede estadual por uma semana, o sindicato continuará buscando o diálogo com o governo e ao mesmo tempo buscando o apoio da sociedade para suas reivindicações. Da mesma forma, estará denunciando os encaminhamentos do governo que são prejudiciais aos interesses dos educadores e da sociedade.
Júlio César Viana admite que a paralisação enfrenta resistência por parte dos pais de alunos. "Esperamos que a comunidade escolar compreenda que a responsabilidade pela situação vivida pelos educadores e os alunos é responsabilidade do governo do Estado.
- O governo Maggi não vem realizando suas atividades em sala de aula e tem sido relapso com a apresentação de suas tarefas de casa. E embora, tenhamos dado boas aulas, ele parece não ter aprendido - compara o presidente do Sintep.
Promessas
Segundo Júlio César Viana, os discursos de campanha não tem coincidido com a prática de governo. Apesar de admitir que a secretária Ana Carla Muniz tem todas as condições técnico-políticas para exercer o cargo, faz uma ressalva: "não acredito que no momento ela tenha a governabilidade necessária para realizar esta tarefa".
Defasagem
Viana lembra que o professor da rede pública estadual recebe hoje um piso salarial de R$ 602,00 para uma jornada de 30 horas semanais e a formação de nível médio. Em janeiro de 1990, o salário de um professor de nível médio era equivalente a 5,6 salários mínimos. Hoje, esse salário está reduzido a 2,5 salários mínimos.
Considerando as perdas salariais acumuladas desde janeiro de 1990, hoje é necessário uma reposição de 77,71% com base na inflação até setembro de 2003. "O Sintep reivindica a recuperação do poder de compra de forma a garantir a todo trabalhador da educação condições mínimas de consumir produtos essenciais a sua vida na sociedade atual", explica.