Kofi Annan, secretário-geral da ONU, juntou-se à União Européia na terça-feira para pedir que Israel interrompa a construção da barreira erguida na Cisjordânia. A declaração foi feita depois de o Estado judaico ter reconhecido que um trecho da obra, na área de Jerusalém, isolaria dezenas de milhares de palestinos que moram na cidade.
O governo israelense viu-se novamente sob pressão nesta semana devido à barreira, um conjunto de cercas de arame farpado e muros, após aprovar a construção de um trecho que acabará separando 55 mil moradores de Jerusalém do resto da cidade.
Annan "pediu que Israel não continue com suas ações, que podem criar problemas e afetar o futuro das negociações sobre um acordo final de paz", disse Stephane Dujarric, porta-voz da ONU, ao responder à pergunta de um jornalista.
Segundo o Estado judaico, a barreira erguida na Cisjordânia e ao redor de Jerusalém é necessária para proteger Israel dos homens-bomba vindos dos territórios palestinos. Para os palestinos, a obra torna efetiva a apropriação de fato de suas terras.
O Tribunal Penal Internacional decidiu, um ano atrás, que a obra é ilegal porque construída em território ocupado e não no território israelense, ou ao longo da fronteira pré-1967, que separa Israel dos territórios palestinos.
Annan "reconhece plenamente as carências de segurança de Israel, mas espera que o país encontre um meio de resolver essa questão sem provocar um impacto grave na situação humanitária dos palestinos", disse Dujarric.
Na segunda-feira, Javier Solana, chefe da área de política externa da UE, disse que o bloco era contrário ao projeto porque ele estava sendo erguido em território ocupado.