A comunidade internacional e países como os Estados Unidos deveriam continuar envolvidos no Haiti depois da saída das tropas de manutenção de paz da Organização das Nações Unidas (ONU), disse o secretário-geral Kofi Annan em artigo publicado nesta terça-feira no Wall Street Journal.
Annan descreveu a situação haitiana como ``mais assombrosa hoje do que há 10 anos'' quando, com apoio do Conselho de Segurança da ONU, uma força multinacional entrou no país e reconduziu o presidente eleito Jean-Bertrand Aristide ao poder.
A ONU autorizou seus países-membros a atuarem outra vez neste ano após Aristide deixar o Haiti, em 28 de fevereiro, depois que a ``força policial desintegrou-se'' e o país entrou em colapso.
``O Haiti claramente é incapaz de se reorganizar, e o efeito de deixar o país sozinho será a continuidade ou a deterioração do caos'', afirmou Annan. Ele lembrou que ``omissões ou falhas em esforços internacionais anteriores'' eram parcialmente responsáveis pelos problemas atuais.
O Conselho de Segurança deu à ONU apenas três meses para lidar com os problemas de segurança no Haiti, mas Annan disse que o país precisa de ajuda internacional para reconstrução após a saída dos ``capacetes azuis''.
``Nós na ONU precisamos trabalhar ao lado dos nossos colegas da Caricom (comunidade do Caribe) e da Organização dos Estados Americanos (OEA), adotando uma posição integrada e comum'', defendeu. Ele também sugeriu que estas organizações ``permaneçam engajadas no Haiti, como parceiros regionais, muito depois da saída dos capacetes azuis''.
Annan também parece atribuir responsabilidade aos EUA, ao afirmar que o país é vizinho do Haiti e a ``única superpotência restante''.
``O Haiti não pode ser isolado de novo por seu próprio vizinho, como foi no passado'', disse.
Sobre a reconstrução do Haiti, Annan advertiu que ''indivíduos armados podem somente ser mantidos na linha, além de serem desarmados, se receberem oportunidades reais e empregos na economia civil''.
``Sem crescimento econômico, as milícias facilmente se reagruparão, e o ciclo de pobreza, violência e instabilidade começará de novo.'', disse. Annan observou que poderá levar mais de uma década para o estabelecimento de sistemas legais e de saúde apropriados.