Rio de Janeiro, 08 de Setembro de 2026

Annan pede ação mundial para evitar terrorismo nuclear

Quinta, 10 de Março de 2005 às 16:06, por: CdB

O mundo precisa lançar rapidamente uma ação conjunta contra o terrorismo e negar aos extremistas a chance de realizar um atentado nuclear, disse na quinta-feira Kofi Annan, secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

Os líderes mundiais deveriam assinar um tratado amplo de combate ao terrorismo o quanto antes, afirmou o secretário-geral durante uma conferência realizada um ano depois dos atentados de 11 de março em Madri, quando foram mortas 191 pessoas. A autoria do ataque foi reivindicada pela rede Al Qaeda.

A conferência de três dias, da qual participam 20 chefes de Estado e de governo, mais especialistas sobre segurança e sobre o Islã, tenta elaborar um plano próprio de combate ao terrorismo.

Se os extremistas realizassem um ataque nuclear, advertiu Annan, "isso não apenas provocaria muitas mortes e muita destruição, como também faria vacilar a economia mundial e atiraria dezenas de milhões de pessoas em um estado de pobreza extrema".

O chefe da ONU pediu aos países membro da entidade que colocassem de lado suas diferenças a respeito da definição de terrorismo, algo que há anos impede a elaboração de um tratado antiterrorismo. "Chegou a hora de finalizarmos uma convenção ampla banindo o terrorismo", afirmou.

O rei Juan Carlos, da Espanha, disse que as democracias tinham de se mostrar determinadas a lutar contra o terror, que ele chamou de um fenômeno "perverso, desumano e injustificável".

"Uma sociedade democrática e livre não pode ceder ao terrorismo ou a suas ameaças, chantagens ou exigências", afirmou na conferência.

A sexta-feira será um dia de luto para a Espanha, que lembra as vítimas dos atentados. Os eventos, porém, serão discretos, em respeito ao desejo das famílias das vítimas, que querem evitar grandes mobilizações eventualmente responsáveis por reavivar memórias traumáticas.

A data reabriu os debates sobre como enfrentar o terrorismo. O presidente do Parlamento Europeu, Josep Borrell, acusou os governos da União Européia (UE) de não cumprir suas promessas de agir em conjunto contra o terrorismo, promessas essas feitas depois dos atentados de Madri.

O coordenador dos esforços de combate ao terrorismo para a UE, Gijs de Vries, disse à Reuters que o continente continuava vulnerável ao terror.

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