Rio de Janeiro, 15 de Setembro de 2026

Annan faz propostas contra intolerância islâmica

Terça, 07 de Dezembro de 2004 às 18:10, por: CdB

Para conter uma onda de intolerância antiislâmica é necessária a ação muçulmanos, não-muçulmanos, governos, imprensa e educadores, disse hoje o secretário-geral da ONU, Kofi Annan. Os muçulmanos devem condenar e isolar os extremistas que atacam civis em nome da religião, e os governos devem cumprir seus compromissos de proteger os muçulmanos da discriminação, disse Annan em um seminário sobre o Islã e a tolerância na sede da ONU.

Ao mesmo tempo, os demais devem reconhecer que o sentimento antiocidental entre alguns muçulmanos é fruto de uma história de colonialismo e dominação, somada a conflitos não-resolvidos no Oriente Médio, na Chechênia e na ex-Iugoslávia.

"A reação a tais fatos pode ser visceral, trazendo uma sensação quase pessoal de afronta. Mas devemos nos lembrar que essas são reações políticas¿ discordâncias de políticas específicas. Frequentemente, elas são tomadas equivocadamente como uma reação do Islã contra os valores ocidentais, provocando uma retaliação antiislâmica."

O seminário sobre "islamofobia" foi o segundo de uma série sobre intolerância religiosa. O primeiro foi sobre o anti-semitismo, em junho.

"Quando uma nova palavra entra na linguagem, é frequentemente o resultado de um avanço científico ou de um modismo. Mas quando o mundo se vê compelido a cunhar um novo termo para dar conta de uma intolerância cada vez mais disseminada, esse é um fato triste e perturbador. E é esse o caso de 'islamofobia"', afirmou ele.

Oradores do evento disseram que a intolerância com relação ao Islã data de vários séculos, mas se agravou recentemente devido às tensões entre o mundo muçulmano e o Ocidente, às visões estereotipadas da imprensa e à expansão da migração muçulmana mundo afora.

Segundo Annan, é inevitável que culturas diferentes tenham atritos quando convivem, mas "isso não pode justificar a demonização, o uso deliberado do medo para propósitos políticos".

"O Islã não deveria ser julgado pelos atos de extremistas que deliberadamente atentam contra civis e os matam. Eles dão má fama a muitos, e isso é injusto", afirmou o secretário-geral.

"Os próprios muçulmanos deveriam se manifestar, como muitos fizeram depois dos ataques do 11 de Setembro contra os Estados Unidos, e mostrar um compromisso de isolar aqueles que pregam ou praticam a violência, e deixar claro que essas são distorções inaceitáveis do Islã", disse Annan.

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