Rio de Janeiro, 11 de Setembro de 2026

Annan diz que ONU deve fazer mudanças sugeridas por Volcker

Quarta, 02 de Fevereiro de 2005 às 18:04, por: CdB

O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, afirmou hoje, quarta-feira, que o organismo internacional está disposto a implantar as mudanças sugeridas pela comissão que investiga o programa "Petróleo por Comida", comandada por Paul Volcker.

A 24 horas da divulgação do relatório com as primeiras conclusões sobre a suposta fraude no programa humanitário, Annan afirmou à imprensa que "está disposto a estudá-lo e implantar suas sugestões".

A Comissão Independente de Inquérito, comandada por Volcker, ex-presidente do Federal Reserve dos EUA, incluirá descobertas internas e sugestões sobre a gestão do programa, que movimentou 67 bilhões de dólares desde que foi iniciado em dezembro de 1996 até ser encerrado em novembro de 2003.

Annan disse que agora a ONU "começou a tomar medidas para fortalecer suas práticas de gestão" e que, com este propósito, deve anunciar muito em breve mudanças concretas.

O secretário-geral lembrou que ele mesmo pediu à Assembléia Geral em setembro passado que revisasse o mandato do Escritório de Serviços de Supervisão Interna do organismo (Oios).

Este órgão de investigação da ONU foi criado há dez anos e, segundo Annan, estão sendo estudadas mudanças para "ver como reforçá-lo e dar-lhe a autoridade apropriada para que possa realizar seu trabalho".

Annan disse que ao anunciar mudanças na gerência da ONU refere-se a iniciativas dirigidas a "melhorar a responsabilidade na gestão e a transparência".

"Cabeças não irão rolar. Haverá mudanças, mas serão feitas de uma maneira civilizada", informou.

Annan previu que no relatório que Volcker apresentará amanhã "haverá duras críticas sobre algumas coisas que fizemos nesta organização", mas se recusou a adiantar o que fará sem saber o conteúdo exato do dossiê.

Incomodado com o volume de perguntas sobre o suposto escândalo no programa "Petróleo por Comida", Annan pediu paciência e se limitou a dizer que não queria fazer um "pré-julgamento" do conteúdo do relatório até que ele seja divulgado.

Volcker criticou os erros contábeis e de administração do programa, além de deficiências na fiscalização das empresas fornecedoras de bens ao Iraque, quando divulgou no início de janeiro que haveria uma série de auditorias internas sobre a gestão do "Petróleo por Comida".

Por meio do programa, administrado pela ONU, o governo de Saddam Hussein podia vender petróleo para comprar artigos de primeira necessidade para a população e assim aliviar o efeito das sanções impostas pelo Conselho de Segurança depois que o Iraque invadiu o Kuwait.

O escândalo veio à tona quando um jornal iraquiano publicou uma lista de 270 personalidades estrangeiras que teriam recebido petróleo através dos contratos do organismo estatal de gestão do petróleo como pagamento por seus favores ao regime de Hussein.

Na lista apareciam pessoas e companhias de países árabes e europeus, assim como personalidades do âmbito internacional.

Além disso, aparecia na lista o nome de Benon Sevan, ex-diretor do programa humanitário.

Há alguns meses foi descoberta a ligação do filho do secretário-geral, Kojo Annan, com uma empresa suíça que obteve em 1998 um lucrativo contrato pelo polêmico programa.

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