O Líbano precisa estabelecer suas fronteiras com a Síria e desmantelar a milícia Hezbollah para poder ter um governo efetivo, disse o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Kofi Annan. Em troca, a Síria deveria aceitar a oferta de Beirute de estabelecer relações diplomáticas e de demarcar os 250 quilômetros de fronteiras entre os dois países, afirmou Annan em um relatório obtido pela Reuters no final da terça-feira.
- Um Líbano unido estendeu a mão para a Síria. Peço que a Síria aceite esta oferta e adote medidas, em especial para estabelecer embaixadas e delinear a fronteira entre Síria e Líbano - disse Annan.
O relatório de 23 páginas, preparado pelo enviado da ONU Terje Roed-Larsen, é fruto da resolução 1559 do Conselho de Segurança da ONU, de setembro de 2004, que pediu para a Síria retirar-se do Líbano e para o Líbano desarmar o Hizbollah para que o governo de Beirute possa controlar todo o país. Síria e Líbano não têm embaixadas nos territórios um do outro desde que potências ocidentais criaram os dois países a partir do fim do império Otomano, em 1920. Damasco afirma que os laços bilaterais atuais são suficientes.
A Síria entrou no Líbano em 1976 para acabar com uma guerra civil e retirou as tropas de lá há um ano, depois do assassinato do ex-primeiro-ministro Rafik al-Hariri e de outras 22 pessoas. A Síria foi acusada por muitos de autoria do assassinato, mas o país nega. As mortes provocaram enormes manifestações anti-Síria. O Hizbollah, que tem apoio do Irã e cujos ataques ajudaram a acabar com os 22 anos de ocupação israelense no sul do Líbano, em 2000, não toma medidas para aderir ao Exército libanês.
A milícia afirma que oferece resistência contra uma faixa nas Colinas de Golã controlada por Israel, conhecida como fazendas de Shebaa. A ONU afirma que as fazendas são parte da Síria, mas que os países têm liberdade para mudar as fronteiras. A Síria propõe um plano de cinco fases para demarcar as fronteiras, mas afirma que os limites nas áreas ocupadas não podem ser definidos até que exista um acordo de paz abrangente no Oriente Médio.