Secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Kofi Annan disse, nesta segunda-feira, que o Iraque corre risco de viver uma guerra civil se as tendências atuais forem mantidas. Na abertura de uma conferência internacional sobre o país, Annan fez um apelo para que as tensões sectárias e regionais sejam superadas por meio da busca de consenso em divergências constitucionais, como o federalismo e a distribuição de receita.
- Se os padrões atuais de alienação e violência persistirem por muito tempo, há um grave perigo de o Estado iraquiano ruir, possivelmente em meio a uma guerra civil de larga escala - disse.
A declaração foi feita depois de Annan retornar de uma viagem pelo Oriente Médio, onde a maioria dos líderes consideram a intervenção norte-americana no Iraque "um desastre".
- A tarefa mais urgente é ampliar o apoio ao tipo de ação --nos níveis nacional, regional e internacional-- que possam tirar o Iraque da beira do abismo - disse Annan.
Ele pediu aos vizinhos do país que ajudem a estabilizá-lo, afirmando:
- A paz no Iraque vai depender, em última instância, na resolução doméstica e na cooperação regional. Mas ela não virá se não houver maior engajamento internacional.
Questionado sobre as declarações de Annan, o vice-primeiro-ministro iraquiano, Barham Salih, disse a jornalistas que seu governo enfrenta muitos problemas de segurança e obstáculos, "mas isso não significa que esteja enfrentando uma guerra civil".
Ele também afirmou que a estabilização de seu país depende das nações vizinhas, muitas delas com representantes na conferência.