Rio de Janeiro, 12 de Setembro de 2026

Anistia pede esclarecimento de mortes no Morro do Pavão-Pavãozinho

A Anistia Internacional divulgou nota na qual pede esclarecimento total das mortes no Morro do Pavão-Pavãozinho e a responsabilização dos autores. O dançarino Douglas Rafael da Silva Pereira e o morador Edilson Silva dos Santos foram mortos na última terça-feira.

Sexta, 25 de Abril de 2014 às 07:55, por: CdB
pavaofavela.jpg
A Anistia Internacional divulgou nota na qual pede esclarecimento total das mortes no Morro do Pavão-Pavãozinho e a responsabilização dos autores
A Anistia Internacional divulgou nota na qual pede esclarecimento total das mortes no Morro do Pavão-Pavãozinho e a responsabilização dos autores. O dançarino Douglas Rafael da Silva Pereira e o morador Edilson Silva dos Santos foram mortos na última terça-feira. Douglas foi encontrado atrás de uma creche, horas após ter sido morto. Edilson foi atingido por um tiro na cabeça, durante os protestos pela morte de Douglas. - A entidade espera uma investigação célere e independente das duas mortes, considerando que há suspeitas de que foram cometidas por policiais militares (PMs). Diante desse contexto de violência, a Anistia Internacional Brasil (AIB) pede não apenas que as mortes sejam devidamente investigadas, esclarecidas e responsabilizadas, mas que seja reconhecida a necessidade urgente de mudanças estruturais na organização das polícias, que incluam a sua desmilitarização, o aumento da transparência e a implementação de um controle externo efetivo das atividades policiais. A entidade considera "alarmante" o índice de homicídios de jovens em favelas e periferias brasileiras. "Infelizmente, o índice de homicídios de jovens em territórios de favelas e periferias é alarmante. A polícia brasileira está entre aquelas que mais matam no mundo, segundo dados da ONU [Organização das Nações Unidas]. Utilizando como exemplo o estado do Rio de Janeiro, dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) mostram que, de 2002 a 2011, foram registradas 10.134 mortes derivadas de intervenções policiais", acrescenta a nota. De acordo com a AIB, a violência vista no Rio também acontece no restante do país: "O Brasil apresenta uma das taxas de homicídios mais altas do mundo, com registro anual de 50 mil mortes. Entre os jovens, a proporção de mortes é duas vezes maior, se comparada com a idade adulta. E entre os jovens brasileiros que morrem, 78% são negros". O sepultamento de Douglas aconteceu à tarde, no Cemitério São João Batista, em Botafogo, zona sul da cidade. A apresentadora Regina Casé, que trabalhava com ele na TV Globo, compareceu ao enterro e se disse chocada com a morte do dançarino. "Mesmo que fosse alguém que eu não conhecesse, essa morte seria igualmente chocante", disse ela, que fez questão de consolar a mãe de Douglas, a técnica de enfermagem Maria de Fátima da Silva. Após o enterro, moradores do Pavão-Pavãozinho seguiram em passeata, pelas ruas de Copacabana, até a subida da comunidade. Na rua que dá acesso ao morro, houve um confronto com policiais militares que acompanhavam a manifestação. PMs do Batalhão de Choque dispararam bombas de efeito moral e de gás lacrimogêneo para dispersar a multidão. Com medo, as pessoas subiram para a favela para fugir da ação policial.
Tags:
Edições digital e impressa