Rio de Janeiro, 18 de Janeiro de 2026

Anistia pede ajuda a 2 milhões de refugiados iraquianos

Terça, 17 de Abril de 2007 às 08:39, por: CdB

O grupo de defesa dos direitos humanos Anisitia Internacional (AI) fez um apelo à comunidade internacional por ajuda financeira e técnica urgente para os refugiados iraquianos, vítimas do conflito dos últimos quatro anos no Iraque.

De acordo com o grupo, cerca de 1,5 milhão de iraquianos foram obrigados a deixar suas casas e se mudar para outras regiões dentro do país, enquanto que outros dois milhões fugiram do Iraque, a maioria para os países vizinhos Síria e Jordânia.

O comunicado da AI pede "à comunidade internacional, principalmente aos Estados Unidos, à União Européia e a outros países que têm a capacidade para fazê-lo, que dividam a responsabilidade de reacomodar os iraquianos da Jordânia e da Síria, dando prioridade aos casos mais vulneráveis".

O pedido foi feito na véspera de uma reunião de dois dias a partir desta terça-feira, organizada pelo Alto Comissariado para Refugiados da Organização das Nações Unidas (UNHCR, na sigla em inglês), para tentar encontrar uma solução para o problema dos refugiados iraquianos.

A Anistia diz esperar que o evento seja "uma oportunidade para chegar a um acordo sobre passos concretos para cuidar das necessidades dos refugiados e de pessoas desalojadas internamente".

Segundo o diretor do programa para o Oriente Médio e o Norte da África da Anistia, Malcolm Smart, a ajuda das nações mais ricas não deve se limitar a doações de dinheiro.

- As vidas dos iraquianos não deveriam ser arriscadas para que governos demonstrem a uma audiência doméstica que eles podem ser duros com asilados - isto é apenas brincar com a vida de outras pessoas -, disse.

Segundo a organização, cerca de 50 mil iraquianos deixam o país por mês para fugir da violência sectária e dos ataques que assolam o Iraque, intensificados no último ano após a explosão de uma importante mesquita xiita em Samarra, em fevereiro de 2006.

Uma missão de três integrantes do grupo passou 10 dias na Jordânia em março para avaliar a situação dos refugiados no país e verificou que a maioria tem dificuldades para trabalhar, estudar e ter acesso a atendimento médico.

O UNHCR estima que entre 750 mil e um milhão de iraquianos vivam no país atualmente. Os refugiados sem residência não podem utilizar o ensino público e muitas famílias não têm dinheiro para matricular seus filhos em escolas particulares.

Em relação à saúde, existem apenas dois hospitais públicos na capital, Amã, e cerca de 20 hospitais particulares. Mais uma vez, todas as pessoas atendidas na saúde pública precisam ter registro de que residem na Jordânia.

Por outro lado, segundo a AI, "os iraquianos têm acesso a atendimento de saúde em casos de emergência, independentemente de seu status legal".

Autoridades jordanianas expressaram preocupação de que a violência sectária entre muçulmanos sunitas e xiitas no Iraque se espalhe para a Jordânia e desestabilize o país.
 

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