A entidade Anistia Internacional pediu na sexta-feira a países africanos que tornem ilegal a chamada circuncisão feminina, a fim de proteger 2 milhões de meninas que todos os anos correm o risco de terem os genitais mutilados.
A Anistia disse que essa prática continua em 28 países africanos e também no Iêmen e na Indonésia, além de ser cada vez mais comum entre imigrantes na Europa, Austrália e América do Norte.
``Os governos são responsáveis por proteger a integridade física e mental de mulheres e meninas'', afirmou a Anistia em uma nota que marcou o ``dia de tolerância zero'' contra essa prática.
``Agir contra a mutilação genital feminina deveria ser parte de uma abordagem abrangente para proteger as mulheres da violência e afirmar o seu status igual (aos homens) na sociedade.''
A organização pediu aos governos africanos que cumpram a Convenção para os Direitos da Criança e a Convenção para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra Mulheres.
Só 14 países africanos atualmente punem a circuncisão feminina, que consiste em cortar o clitóris e outras partes dos genitais. A operação às vezes é feita por um médico, mas frequentemente, em sociedades rurais, por um parente ou curandeiro.
Em muitas comunidades essa tradição é um rito de passagem para a idade adulta. Seus defensores dizem que ela reduz a libido, limitando a promiscuidade. Em alguns países, como a Somália, estima-se que mais de 90 por cento das mulheres sejam circuncidadas.
Essa prática pode provocar infertilidade, infecções urinárias e pélvicas, dores durante a relação sexual e complicações na gravidez e no parto.
Vários governos que permitem a prática dizem que, se ela fosse proibida, continuaria ocorrendo na clandestinidade, com mais riscos à saúde das meninas.